Justiça

Empresário é condenado a mais de quatro anos de prisão por exercer Medicina com CRM de outro profissional em Cananéia

Sentença responsabiliza réu por falsa identidade, exercício ilegal da Medicina, falsificação de documentos, exposição de pacientes a risco e tentativa de estelionato; defesa informou que recorrerá da decisão

Empresário condenado por exercer ilegalmente a Medicina permanece preso após decisão da Justiça de Cananéia; defesa informou que recorrerá da sentença ao Tribunal de Justiça de São Paulo - Imagem: Redes sociais
Empresário condenado por exercer ilegalmente a Medicina permanece preso após decisão da Justiça de Cananéia; defesa informou que recorrerá da sentença ao Tribunal de Justiça de São Paulo - Imagem: Redes sociais

Redação Publicado em 31/07/2026, às 12h06


Um empresário de 28 anos foi condenado a quatro anos, seis meses e 29 dias de prisão por usar o registro de um médico para realizar atendimentos em Cananéia, com a Justiça determinando que ele permaneça preso sem direito a recorrer em liberdade.

O homem foi detido em janeiro após uma investigação que revelou que ele utilizava o CRM de um médico falecido para realizar exames e emitir laudos, levantando suspeitas após um erro em um atendimento que expôs a saúde de um paciente.

A sentença incluiu penas por crimes como exercício ilegal da Medicina e falsificação de documentos, e a defesa do empresário anunciou a intenção de recorrer ao Tribunal de Justiça de São Paulo, enquanto a decisão judicial permanece em vigor.

A Justiça de Cananéia condenou um empresário de 28 anos a quatro anos, seis meses e 29 dias de reclusão e detenção por utilizar o registro profissional de um médico para realizar atendimentos e exames em unidades de saúde do município. A sentença foi proferida nesta semana e determinou que o réu permaneça preso, sem direito de recorrer em liberdade.

De acordo com o processo, o homem está detido desde janeiro deste ano, quando foi alvo de uma investigação que apurou o exercício irregular da Medicina. Conforme as autoridades, ele utilizava o número de inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM) pertencente a outro profissional para realizar exames de ultrassonografia, emitir laudos e atender pacientes em uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

As investigações apontam que o CRM utilizado era de um médico que mantinha sociedade com o empresário em uma clínica localizada na capital paulista. Em depoimento prestado durante a apuração, o acusado afirmou que teria realizado os atendimentos a pedido do sócio e que receberia R$ 1,5 mil pelo serviço. O médico citado morreu no fim de fevereiro deste ano.

Segundo os autos, a fraude veio à tona após uma inconsistência identificada durante um atendimento. Conforme apurado pela investigação, o então falso profissional informou ter identificado a vesícula biliar de uma paciente que já havia retirado o órgão por meio de cirurgia, fato que levantou suspeitas e deu início às verificações sobre sua atuação.

Na sentença, a Vara de Cananéia reconheceu a prática de diversos crimes em continuidade delitiva. Entre eles estão falsa identidade, exercício ilegal da Medicina, exposição da vida ou da saúde de terceiros a perigo, falsificação de documento particular e tentativa de estelionato.

A decisão judicial dividiu a condenação em dois grupos de infrações. Pelos crimes de falsa identidade, exercício ilegal da profissão e exposição de pacientes a risco, foi fixada pena de um ano, dez meses e nove dias de detenção, em regime inicial semiaberto, além de multa.

Já pelos delitos de falsificação de documento particular e tentativa de estelionato, a Justiça estabeleceu pena de dois anos, oito meses e 20 dias de reclusão, em regime inicial fechado, também com aplicação de multa. Somadas, as penas resultaram em quatro anos, seis meses e 29 dias de prisão, além de 45 dias-multa.

O condenado permanecerá custodiado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Registro até eventual alteração da decisão judicial.

Em nota, a defesa do empresário informou que apresentará recurso ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Segundo o advogado responsável pelo caso, a sentença teria sido proferida em desacordo com as provas reunidas durante a instrução processual e a expectativa é que a condenação seja reavaliada em segunda instância.

Até o momento, a decisão permanece válida e produz efeitos, enquanto o processo seguirá para análise do recurso pela Justiça.


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