Especialistas alertam sobre os perigos de se aproximar de carcaças de mamíferos marinhos em decomposição

Redação Publicado em 03/08/2026, às 08h32
A carcaça de uma baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) foi localizada na faixa de areia em PraiaGrande, no litoral de São Paulo, no último sábado (1º). Logo após a identificação do mamífero na praia, a Prefeitura de Praia Grande acionou as equipes técnicas da Secretaria de Serviços Urbanos e do Instituto Biopesca, órgão responsável pelo monitoramento de encalhes de megafauna marinha na região da Baixada Santista. O corpo do animal foi isolado, analisado por biólogos e, posteriormente, removido pela administração municipal.
A equipe do Instituto Biopesca realizou os procedimentos de necropsia na própria areia para coletar amostras de tecidos biológicos que ajudarão a determinar a causa da morte da jubarte. O aparecimento do mamífero atraiu a curiosidade de dezenas de pessoas e banhistas que circundavam a área antes da chegada das autoridades, gerando alertas de especialistas quanto aos riscos à saúde e à segurança associados ao contato próximo com carcaças de grandes animais marinhos.
Alertas biológicos e riscos para quem se aproxima
O biólogo Eric Comin esclarece que a proximidade com mamíferos marinhos em estado de decomposição representa um perigo real de contaminação para a população. O especialista ressalta que corpos de animais mortos acumulam e propagam microrganismos como bactérias, vírus e fungos patogênicos. Além disso, o acúmulo de gases no processo interno de decomposição gera odores tóxicos que podem provocar mal-estar e dores de cabeça, existindo até o risco de rompimento da carcaça ou acidentes físicos causados pela movimentação do peso do corpo do animal com a força das marés.
Outro fator crítico indicado por biólogos é que os fluidos orgânicos liberados na água da praia atraem animais carniceiros para a areia e tubarões para trechos de águas rasas próximos à costa. Por essa razão, a orientação dos órgãos ambientais para a população ao avistar um animal encalhado é manter distância do local, evitar qualquer tipo de toque no corpo do espécime e acionar imediatamente os serviços de resgate ou monitoramento de fauna da região.
Período de migração na costa brasileira
O surgimento de indivíduos da espécie no litoral de São Paulo coincide com a época de migração anual das baleias-jubarte. Durante esta fase do ano, os animais deixam as águas polares da Antártica — onde passam os meses anteriores se alimentando e acumulando gordura — em direção ao litoral brasileiro. As águas tropicais e mais quentes do Brasil são utilizadas pelas jubartes como área de acasalamento, gestação e nascimento dos filhotes.
A jornada migratória das jubartes representa um dos maiores deslocamentos de mamíferos registrados no planeta, cobrindo milhares de quilômetros. Espécimes adultos da espécie podem alcançar entre 13 e 16 metros de comprimento e ultrapassar 40 toneladas de peso. Após o período de reprodução e amamentação nas áreas quentes, os grupos iniciam a viagem de retorno ao polo sul com os filhotes já capacitados para a nadar longas distâncias.
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