Estudo técnico aponta risco de rompimento de faixa arenosa que pode transformar parte da região em uma nova ilha e afetar comunidades tradicionais

Redação Publicado em 11/03/2026, às 18h33
A Ilha do Cardoso, em São Paulo, enfrenta risco de se tornar uma nova ilha devido à erosão que pode romper uma faixa de areia até 2026, impactando comunidades tradicionais locais, como caiçaras e indígenas.
O estreitamento da faixa de terra, atualmente entre 48 e 50 metros, tem se intensificado por fatores naturais e mudanças climáticas, aumentando a vulnerabilidade da região a eventos climáticos extremos.
A Justiça determinou que o governo estadual elabore um plano emergencial para proteger as populações afetadas, incluindo rotas de evacuação e avaliações de estruturas de contenção, enquanto a Secretaria de Meio Ambiente trabalha em um projeto de recuperação da faixa de areia.
A configuração geográfica da Ilha do Cardoso, no litoral sul de São Paulo, pode sofrer mudanças significativas ainda em 2026. Um parecer técnico apresentado pelo Ministério Público de São Paulo indica que o avanço do processo de erosão na região representa risco real de rompimento de uma estreita faixa de areia localizada no trecho conhecido como Estreito do Melão.
Caso a ruptura ocorra, a área pode se separar do restante do território, formando uma nova ilha e alterando o mapa da região. O fenômeno também pode provocar impactos diretos em comunidades tradicionais que vivem no local, incluindo moradores caiçaras e aldeias indígenas.
De acordo com o estudo elaborado pelo Centro de Apoio à Execução do Ministério Público, o estreitamento da faixa de terra tem se intensificado nos últimos anos. Atualmente, o trecho mais crítico apresenta largura estimada entre 48 e 50 metros, o que aumenta a possibilidade de ruptura em caso de eventos climáticos mais intensos.
Especialistas apontam que o processo erosivo ocorre naturalmente em ambientes costeiros devido à ação do mar, do vento e das correntes. No entanto, fatores como a elevação do nível do oceano e episódios climáticos extremos associados às mudanças climáticas têm acelerado esse desgaste na região.
Diante do cenário, a Justiça determinou que a Fundação Florestal de São Paulo e o governo estadual apresentem um plano emergencial para proteger as populações que vivem próximas à área de risco. O documento deve incluir medidas como rotas de evacuação, sistemas de alerta e estratégias de abrigo para os moradores.
Além disso, a decisão recomenda cautela em intervenções de engenharia que possam interferir na dinâmica natural da costa. As estruturas de contenção existentes, instaladas ao longo da praia, também deverão passar por avaliação técnica para verificar sua eficácia e possíveis impactos ambientais.
O processo erosivo na Ilha do Cardoso já provocou mudanças significativas no passado. Em 2018, um rompimento semelhante alterou a paisagem local e obrigou comunidades inteiras a serem transferidas para outras áreas da ilha.
Segundo levantamentos recentes, cerca de 400 pessoas que vivem em comunidades tradicionais na região já enfrentam consequências diretas do avanço do mar.
A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo informou que trabalha em um projeto de engenharia voltado à recuperação da faixa de areia e à contenção da erosão. A proposta prevê o uso de técnicas de recomposição da praia com sedimentos retirados das áreas mais afetadas, respeitando a dinâmica natural do litoral.
As ações fazem parte de um plano estadual de adaptação às mudanças climáticas, que inclui estratégias para fortalecer a proteção das zonas costeiras e reduzir riscos ambientais em comunidades vulneráveis.
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