MEIO AMBIENTE

Estado inicia obra de R$ 12 milhões para conter erosão e proteger comunidades na Ilha do Cardoso

Intervenção no Estreito do Melão busca impedir o avanço da erosão costeira, preservar manguezais e evitar impactos sobre comunidades caiçaras em Cananéia.

Obras no Estreito do Melão buscam conter o avanço da erosão e proteger comunidades tradicionais da Ilha do Cardoso, em Cananéia. Foto: Governo do Estado de São Paulo - Imagem: Divulgação / Governo do Estado de SP
Obras no Estreito do Melão buscam conter o avanço da erosão e proteger comunidades tradicionais da Ilha do Cardoso, em Cananéia. Foto: Governo do Estado de São Paulo - Imagem: Divulgação / Governo do Estado de SP

Redação Publicado em 25/07/2026, às 15h00


O Governo de São Paulo iniciou uma obra de R$ 12 milhões no Estreito do Melão, em Cananéia, para conter a erosão, com duração prevista de nove meses, visando estabilizar uma área vulnerável da unidade de conservação.

A intervenção utiliza dragagem para reposicionar sedimentos e instalar geotubos, com o objetivo de evitar o rompimento do estreito, que ameaçaria comunidades tradicionais e ecossistemas locais, como manguezais.

Após anos de estudos e mobilização comunitária, a obra foi acompanhada pelo Ministério Público, que alertou para o risco de ruptura iminente, e é vista como uma conquista pelos moradores, que dependem da preservação ambiental para permanecer em seus territórios.

O Governo de São Paulo iniciou uma obra de R$ 12 milhões para conter o avanço da erosão no Estreito do Melão, localizado na Ilha do Cardoso, em Cananéia, no litoral sul paulista. A intervenção, coordenada pela Fundação Florestal em parceria com a SP Águas, tem previsão de duração de nove meses e pretende estabilizar um dos trechos mais vulneráveis da unidade de conservação.

O projeto utiliza a técnica de dragagem para retirar e reposicionar sedimentos, recompondo o cordão arenoso que vem sendo desgastado pela ação das marés, dos ventos e pela elevação do nível do mar. A obra também prevê a instalação de geotubos, estruturas preenchidas com areia que funcionam como barreiras de proteção contra o avanço da erosão sem causar impactos significativos ao meio ambiente.

Segundo a Fundação Florestal, a medida busca evitar o rompimento do Estreito do Melão, cenário que colocaria em risco comunidades tradicionais localizadas mais ao norte da ilha, como Enseada da Baleia, Vila Rápida e Marujá. Além das famílias caiçaras, um eventual rompimento também afetaria áreas de manguezais, a navegação local e atividades ligadas à pesca artesanal.

A intervenção ocorre após anos de estudos técnicos e mobilização das comunidades da região. O Ministério Público de São Paulo acompanhou o processo de elaboração e contratação da obra, realizando vistorias com representantes da Defensoria Pública, especialistas e moradores.

Em março deste ano, um parecer técnico apresentado pelo Ministério Público alertou para o risco iminente de rompimento do estreito. Na ocasião, foi identificado que o trecho mais estreito da faixa de terra media cerca de 50 metros, aumentando a possibilidade de uma ruptura ainda em 2026.

A Justiça determinou que o Estado apresentasse um plano emergencial para proteger a área. A preocupação ganhou força porque, em 2018, outro processo erosivo alterou a configuração da Ilha do Cardoso e obrigou famílias a deixarem suas residências.

Moradores comemoram o início das obras. Lideranças caiçaras afirmam que a intervenção representa uma conquista construída ao longo de anos de reivindicações e reforçam que a permanência das famílias em seus territórios depende da preservação ambiental da região.

Especialistas também destacam que o avanço da erosão está diretamente relacionado às mudanças climáticas, que vêm intensificando eventos extremos e acelerando o desgaste da costa paulista.


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