Eleições 2026

Estela Aranha volta ao centro de questionamentos após vídeo de apoio a Lula

Ministra do TSE declarou voto no petista em 2022, quando ainda era advogada. Gravação voltou a circular após decisão que alterou regras do debate presidencial da Globo e contribuiu para o cancelamento do encontro.

A repercussão ocorreu após a magistrada determinar mudanças nas regras do debate presidencial da TV Globo, realizado na quinta-feira (1º) - Imagem: Reprodução
A repercussão ocorreu após a magistrada determinar mudanças nas regras do debate presidencial da TV Globo, realizado na quinta-feira (1º) - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 02/10/2026, às 20h48


A ministra do TSE, Estela Aranha, voltou a ser alvo de debate político após a circulação de um vídeo de 2022 em que declara voto em Lula, coincidentemente após sua decisão de alterar regras do debate presidencial da TV Globo.

O vídeo gerou polêmica principalmente entre críticos do governo Lula, levantando questões sobre a imparcialidade da ministra, que tomou posse no TSE em agosto de 2025, após uma carreira no governo e na advocacia.

A decisão de Estela, que resultou no cancelamento do debate, foi defendida por alguns, mas também gerou críticas, levando a manifestações de apoio à ministra, enquanto ela ainda não se pronunciou sobre a repercussão do vídeo.

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha voltou ao centro do debate político nesta sexta-feira (2), após um vídeo gravado durante as eleições de 2022, no qual ela declara voto no então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltar a circular nas redes sociais. A repercussão ocorre um dia depois de a magistrada determinar mudanças nas regras do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo na quinta-feira (1º).

Na gravação, feita quando Estela ainda atuava como advogada, ela afirma que votaria em Lula no segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL). Segundo a declaração, a escolha estaria relacionada à defesa do Estado Democrático de Direito e da democracia. O vídeo também mostra a então advogada defendendo que profissionais da área jurídica apoiassem o petista. A existência da gravação já havia sido registrada pela imprensa em outubro de 2022, quando Estela participou de uma iniciativa que reuniu representantes de diferentes setores em manifestações de apoio a Lula.

A repercussão ganhou força após uma decisão tomada por Estela na quinta-feira. A ministra determinou que a Globo não exibisse no cenário do debate o púlpito destinado a Lula, que havia informado previamente que não participaria do encontro. Ela também impediu que os demais candidatos presentes dirigissem perguntas diretamente ao presidente durante o programa.

Na decisão, Estela argumentou que a exibição do espaço vazio poderia produzir efeitos que ultrapassariam a simples informação sobre a ausência do candidato e poderia pressionar os concorrentes a comparecerem aos debates, embora a participação seja facultativa. A medida alterou regras que haviam sido previamente estabelecidas para o encontro.

O debate acabou cancelado pela TV Globo. Além da decisão de Estela, o cenário também foi afetado por uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que autorizou a participação de Renan Santos, candidato do Partido Missão. Flávio Bolsonaro (PL), que também disputaria a Presidência, desistiu de comparecer ao encontro e afirmou que a decisão do TSE representava uma interferência no evento.

Foi nesse contexto que o vídeo de 2022 voltou a ganhar circulação, principalmente em páginas e perfis críticos ao governo Lula e à atuação da Justiça Eleitoral. A principal discussão levantada nas redes envolve a manifestação política feita por Estela antes de sua chegada ao TSE e sua atuação atual como integrante da Corte eleitoral.

Estela Aranha tomou posse como ministra efetiva do TSE em 1º de agosto de 2025, para um mandato de dois anos, ocupando uma das vagas destinadas à classe dos advogados. A nomeação ocorreu a partir de lista tríplice encaminhada pelo STF e foi formalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Antes de integrar o tribunal, Estela teve atuação no governo federal. Ela foi secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública durante a gestão de Flávio Dino e posteriormente trabalhou como assessora especial da Presidência da República. Também atuou na própria estrutura do TSE antes de assumir a cadeira de ministra.

A trajetória profissional da magistrada é concentrada principalmente nas áreas de direito digital, proteção de dados e inteligência artificial. Ela é formada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), integrou órgãos e comissões relacionados à proteção de dados e participou de discussões sobre regulamentação da inteligência artificial.

A circulação do vídeo também provocou manifestações de apoio à ministra. Entidades ligadas à advocacia e à participação feminina no Judiciário afirmaram que decisões judiciais podem ser questionadas por seus fundamentos, mas criticaram ataques pessoais e argumentos que, segundo essas organizações, colocariam em dúvida a autonomia de Estela por ser mulher.

O ministro do STF Flávio Dino também saiu em defesa da magistrada. Em manifestação pública, afirmou que decisões judiciais relacionadas a debates eleitorais podem ser contestadas, mas questionou a intensidade das críticas dirigidas a Estela em comparação com outros ministros que também tomaram decisões relacionadas ao encontro da Globo.

Até o momento, Estela Aranha não apresentou manifestação pública específica sobre a retomada do vídeo de 2022. A gravação, portanto, permanece como uma declaração feita antes de sua nomeação para o TSE e voltou ao debate público em meio à controvérsia sobre a decisão tomada pela ministra às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026.