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Ex-soldador vai a júri popular em Cubatão por tentativa de homicídio contra supervisor

Defesa de Ricardo argumenta que ele é inocente e busca provar a falta de envolvimento direto no crime cometido

Tribunal do Júri de Cubatão analisa caso de soldador acusado de tentativa de homicídio qualificado contra seu ex-supervisor - Imagem: Reprodução
Tribunal do Júri de Cubatão analisa caso de soldador acusado de tentativa de homicídio qualificado contra seu ex-supervisor - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 26/03/2026, às 08h54


O Tribunal do Júri de Cubatão retoma, a partir das 9h desta quinta-feira (26), um caso que mistura relações trabalhistas e violência extrema. Ricardo da Silva, um soldador de 43 anos, senta no banco dos réus acusado de tentativa de homicídio qualificado contra seu antigo supervisor. O crime, ocorrido em agosto de 2024, teria sido motivado pela demissão do acusado, ocorrida apenas 24 horas antes do atentado.

De acordo com o processo, a vítima foi surpreendida por um homem encapuzado enquanto saía de um alojamento no Parque São Jorge em direção à Refinaria Presidente Bernardes.

O supervisor chegou a ser agredido com coronhadas no rosto e o atirador tentou disparar duas vezes contra ele, mas a arma falhou. Na fuga, testemunhas reconheceram Ricardo como o motorista do carro que resgatou o agressor, afirmando inclusive que ele gritava para o comparsa: “vai, atira, atira”.

Prisão após acidente de trânsito

A captura de Ricardo ocorreu de forma quase imediata, mas por um detalhe inesperado. Enquanto a vítima registrava a ocorrência no 1º DP de Cubatão, investigadores receberam a notícia de um acidente de trânsito sem vítimas envolvendo um Fiat Toro branco, o mesmo modelo utilizado na fuga.

Ao chegar ao local do acidente, a polícia encontrou Ricardo ao volante. Ele foi levado à delegacia e prontamente reconhecido pelo supervisor e por colegas de trabalho que presenciaram a cena. Na época, o delegado Fábio Szabo Guerra considerou os indícios de autoria "robustos", apesar de o armamento utilizado e o executor encapuzado não terem sido localizados naquele momento.

Tese da defesa

O julgamento desta quinta-feira deve ser marcado pelo embate entre os relatos das testemunhas e a versão do réu. Os advogados de defesa, João Carlos de Jesus Nogueira e Rodrigo Santos Cruz, reiteram que Ricardo se declara inocente de todas as acusações.

A estratégia da defesa foca na análise minuciosa das provas produzidas durante a instrução do processo, buscando demonstrar que não houve participação direta ou incentivo do soldador no crime. A expectativa é que o veredito dos jurados seja anunciado ainda hoje, definindo o futuro do ex-trabalhador que, segundo a empresa, havia sido demitido por "não respeitar a hierarquia".