Casos de mortes violentas estão sendo transferidos para IMLs em cidades vizinhas devido à falta de atendimento local

Redação Publicado em 13/01/2026, às 08h17
Quem mora em Guarujá ou Bertioga e precisa realizar exames oficiais de corpo de delito está enfrentando uma situação complicada e de muita espera. Atualmente, toda a demanda dessas duas cidades está nas mãos de apenas um médico legista. Por conta dessa falta de profissionais, o Instituto Médico Legal (IML) de Guarujá teve que cortar drasticamente seu horário de funcionamento, atendendo ao público em apenas dois dias da semana.
A situação afeta diretamente quem sofreu acidentes de trânsito, acidentes de trabalho ou foi vítima de agressões e precisa do laudo oficial. Agora, esses exames só estão sendo feitos às segundas e quintas-feiras, e por um período curtíssimo: das 10h às 13h. Fora desse horário, quem precisa do serviço encontra as portas fechadas ou precisa aguardar o próximo dia de plantão.
Mortes e deslocamentos
O problema não se resume apenas aos exames em pessoas vivas. A restrição no atendimento também impactou os casos de falecimentos. Quando ocorrem mortes violentas ou suspeitas, onde é obrigatória a realização de necropsia (autópsia), os corpos não estão ficando na cidade.
Segundo a Superintendência da Polícia Técnico-Científica, órgão responsável pelo serviço, esses casos estão sendo transferidos para as unidades do IML em Santos ou Praia Grande. Em nota oficial, o órgão estadual alegou que essa redução de horário faz parte de "ajustes temporários" e defendeu que a população não está sendo prejudicada, apesar da necessidade de deslocamento para outras cidades vizinhas.
Tentativa de solução e parceria
Diante das reclamações e da precariedade do serviço, a administração municipal está tentando intervir. O secretário de Defesa e Convivência Social de Guarujá, Renato Fincatti, explicou que existe um plano em andamento para tentar normalizar a situação e fazer com que o IML volte a funcionar 24 horas por dia, todos os dias da semana. O objetivo é evitar que as famílias precisem viajar para outros municípios em momentos de dor e luto.
A estratégia da prefeitura envolve uma união de forças. Já foram realizadas reuniões com o Governo do Estado e com a Secretaria de Segurança Pública para propor uma parceria que envolve também a universidade Unioeste. A ideia é reformar e revitalizar o prédio onde o instituto funciona.
Como vai funcionar o acordo?
Pela proposta apresentada, a responsabilidade seria dividida para agilizar o processo. O município ficaria encarregado de fornecer a estrutura de apoio, contratando auxiliares para os legistas, funcionários administrativos e garantindo que a equipe seja treinada. Com a "casa arrumada" pela prefeitura, o Estado teria melhores condições para enviar os médicos legistas concursados.
Apesar da boa intenção e das negociações estarem, segundo o secretário, em "velocidade acelerada", ainda não existe uma data marcada no calendário para que o atendimento volte ao normal. Por enquanto, a população segue dependendo dos horários restritos ou da ajuda das cidades vizinhas.
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