Biólogos explicam o fenômeno de caranguejos nas praias após chuvas, que inundam tocas e alteram o habitat natural dos crustáceos.

Redação Publicado em 08/03/2026, às 15h57
Recentemente, caranguejos foram vistos em grande quantidade nas praias de Peruíbe devido a chuvas intensas que inundaram suas tocas no manguezal, forçando-os a buscar novos habitats temporários. Essa migração pode resultar em riscos para os crustáceos, como exposição ao sol e dificuldade de alimentação.
Biólogos explicaram por que caranguejos foram vistos em grande quantidade caminhando pela faixa de areia nas praias de Peruíbe nos últimos dias, após períodos recentes de chuva. O fenômeno acontece porque as fortes precipitações inundam as tocas no manguezal e alteram temporariamente as condições ambientais, forçando os animais a deixarem o habitat natural.
De acordo com o biólogo Eric Comin, a presença massiva desses crustáceos após longos períodos de chuva está ligada às mudanças provocadas no manguezal. As tocas acabam sendo inundadas e os caranguejos precisam sair para evitar que permaneçam submersos.
Segundo o especialista, o excesso de água interfere na salinidade e na disponibilidade de oxigênio no ambiente. Essas alterações tornam o manguezal temporariamente inadequado para a permanência dos animais, o que faz com que eles se desloquem para áreas próximas, incluindo praias.
Outro fator apontado pelos especialistas é o período reprodutivo da espécie. O biólogo Eric Comin afirma que as chuvas também podem funcionar como um estímulo natural que marca o início da temporada de reprodução.
Nesse momento do ciclo biológico, os caranguejos deixam as tocas para se reproduzir e se dispersar. O fenômeno pode coincidir com períodos de chuva intensa, aumentando o número de animais observados fora do manguezal.
O acúmulo de vegetação e de materiais trazidos pela água da chuva também interfere no comportamento dos caranguejos. Esses detritos podem servir temporariamente como abrigo ou fonte de alimento, mas também contribuem para desorientar os animais.
Com isso, parte deles acaba se deslocando para áreas inadequadas, como a faixa de areia da praia, onde ficam mais expostos.
Quando chegam à praia, os caranguejos enfrentam condições mais adversas. A exposição ao sol, a dificuldade de encontrar alimento e a distância do manguezal aumentam o risco de morte de alguns indivíduos.
O biólogo Ricardo Samelo explica que esse deslocamento também está relacionado ao fenômeno conhecido como “andada”, típico do caranguejo-uçá durante o período reprodutivo.
Segundo ele, esse comportamento costuma ocorrer entre janeiro e abril. Durante fases de lua cheia ou lua nova, os animais saem das tocas para acasalamento e dispersão pelo manguezal e áreas próximas, o que pode incluir praias.
Na última semana houve lua cheia, fator que reforça a hipótese de que o deslocamento observado esteja relacionado ao processo reprodutivo da espécie.
Durante esse período ocorre também o defeso do caranguejo-uçá. Nessa fase ficam proibidas a captura, o transporte, o beneficiamento, a industrialização e a comercialização do animal.
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