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Fim de uma era: com dívida bilionária, Unigel fecha fábrica histórica em Cubatão

Fábrica, símbolo da região desde 1957, entra em hibernação após dívidas bilionárias

Cubatão enfrenta crise com fechamento da Unigel, que acumula R$ 5,4 bilhões em dívidas - Foto: Divulgação
Cubatão enfrenta crise com fechamento da Unigel, que acumula R$ 5,4 bilhões em dívidas - Foto: Divulgação

Gabriel Nubile Publicado em 08/01/2026, às 10h32


A notícia que muitos trabalhadores temiam acabou se confirmando e marca o fim de uma era para a indústria local. Representantes da Unigel, uma gigante do setor petroquímico no país, se reuniram com o prefeito César Nascimento (PSD) e oficializaram a decisão de encerrar as operações da fábrica em Cubatão. O encontro, que selou o destino da unidade, aconteceu nesta quarta-feira e jogou um balde de água fria nas esperanças de manutenção dos empregos.

Apesar do anúncio, as máquinas não vão parar de uma hora para outra. A empresa explicou que o processo será gradual e deve levar algumas semanas até que a produção seja totalmente interrompida e a fábrica entre no chamado estado de "hibernação", quando a estrutura é mantida, mas sem funcionar. Com o fechamento, cerca de 100 famílias serão afetadas diretamente, somando os 70 funcionários contratados e outros 30 que prestam serviços terceirizados no local.

História que chega ao fim

Para quem vive o dia a dia do Polo Industrial, a saída da empresa representa muito mais do que números em uma planilha. Herbert Passos Filho, presidente do Sindicato dos Químicos da Baixada Santista, lamentou profundamente a decisão e tratou o caso como o encerramento de um capítulo importante da história da cidade.

Segundo o sindicalista, a fábrica é um verdadeiro símbolo da região. Instalada lá em 1957, ainda na época da antiga Companhia Brasileira de Estireno (CBE), a planta industrial se tornou uma referência visual e histórica para todo mundo que passa pela Avenida Nove de Abril. "Foram muitos anos de luta para continuar. Na pandemia, quase não voltamos", relembrou Herbert, citando as dificuldades recentes enfrentadas pelo setor.

Tentativa de socorro e dívidas bilionárias

Mesmo com a decisão da empresa praticamente tomada, a prefeitura ainda tenta uma "última cartada" para evitar que os portões se fechem de vez. O prefeito César Nascimento explicou que a administração municipal está disposta a oferecer benefícios fiscais, ou seja, descontos em impostos, para tentar convencer a companhia a ficar.

Para viabilizar essa ajuda, uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) trabalhou na criação de uma lei específica. A ideia é permitir que a prefeitura dê esses incentivos para empresas que, assim como a Unigel, estejam passando por recuperação judicial (quando a empresa pede ajuda à Justiça para não falir) ou extrajudicial. A situação financeira da petroquímica é delicada, com uma dívida acumulada que gira em torno de R$ 5,4 bilhões.

No entanto, para o sindicato, a reação política pode ter chegado tarde demais. Herbert Passos Filho não poupou críticas à falta de apoio governamental ao longo dos anos. Ele afirmou que o setor químico nacional foi deixado de lado e que a categoria se sentiu abandonada. "Apoio político? Nunca tivemos. Nenhum político da região municipal, estadual ou federal, apoiou o nosso setor", desabafou o líder sindical.