Eleições 2026

Flávio Bolsonaro critica Judiciário após cancelamento de debate da Globo

Candidato do PL afirmou que houve interferência do Judiciário no confronto entre presidenciáveis e usou transmissão ao vivo para pedir concentração de votos em sua candidatura.

Flávio Bolsonaro durante transmissão ao vivo realizada após o cancelamento do debate presidencial que seria promovido pela TV Globo - Imagem: Reprodução
Flávio Bolsonaro durante transmissão ao vivo realizada após o cancelamento do debate presidencial que seria promovido pela TV Globo - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 02/10/2026, às 20h05


Flávio Bolsonaro criticou a Justiça Eleitoral durante uma live após o cancelamento do debate presidencial da TV Globo, alegando censura e interferência do Judiciário no processo eleitoral, a menos de três dias do primeiro turno.

O debate foi cancelado devido a decisões judiciais que mudaram as condições previamente acordadas, incluindo a proibição de exibir o espaço vazio de Lula e a inclusão de outro candidato, o que gerou insegurança jurídica para a emissora.

Flávio mobilizou seus apoiadores para o voto no primeiro turno e acusou Lula de manipular o Judiciário, enquanto ambos os candidatos adotaram estratégias digitais para se comunicar com os eleitores após o cancelamento do debate.

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) criticou decisões da Justiça Eleitoral durante uma transmissão ao vivo realizada na noite de quinta-feira (1º), depois do cancelamento do debate presidencial que seria promovido pela TV Globo. O senador afirmou que houve censura e interferência do Judiciário no processo eleitoral e aproveitou a transmissão para mobilizar apoiadores a três dias do primeiro turno.

O debate foi cancelado pela emissora cerca de uma hora antes do horário previsto para o início. O episódio ocorreu após uma sequência de decisões judiciais que alteraram as condições inicialmente estabelecidas para o confronto. Entre elas, uma decisão da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Globo não poderia exibir de forma destacada o espaço vazio destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia anunciado que não participaria do encontro.

Outra decisão, desta vez do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão do candidato Renan Santos, do partido Missão, no debate. A emissora afirmou que as sucessivas decisões tomadas pouco antes do programa provocaram insegurança jurídica e dificultaram a realização do confronto conforme as regras previamente estabelecidas.

Flávio havia anunciado antes do cancelamento que não participaria do debate. Durante a live, classificou as mudanças determinadas pela Justiça como uma forma de censura e afirmou que o episódio representaria uma interferência indevida sobre a organização do encontro. O candidato também direcionou críticas ao presidente Lula e relacionou as decisões judiciais à disputa eleitoral.

A sequência dos acontecimentos foi destacada por organizações de checagem. Segundo a Agência Lupa, Flávio não foi impedido de participar do debate. O candidato decidiu voluntariamente não comparecer após as decisões judiciais, enquanto a presença no programa era facultativa. Posteriormente, a Globo comunicou o cancelamento do evento.

Na transmissão, Flávio também defendeu que eleitores que pretendem derrotar Lula concentrem seus votos em sua candidatura já no primeiro turno. O senador chamou a estratégia de “voto de revolta” e afirmou que os eleitores deveriam comparecer às urnas no domingo (4).

O candidato ainda acusou Lula de utilizar aliados no Judiciário para interferir no processo eleitoral. As declarações foram apresentadas por Flávio como uma reação às decisões que modificaram as regras do debate. O presidente, por sua vez, não participou do confronto e concedeu uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário em que estava previsto o debate da Globo.

A transmissão de Flávio contou ainda com a participação de aliados políticos, entre eles o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), a deputada Caroline de Toni (PL-SC) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A participação de lideranças do grupo transformou a live em um ato de mobilização política na reta final da campanha presidencial.

O cancelamento do debate também provocou uma disputa de audiência nas plataformas digitais. Enquanto Flávio realizou sua própria transmissão, Lula participou do Flow Podcast. Em determinado momento da noite, a entrevista do presidente registrava mais de 1,6 milhão de espectadores simultâneos no YouTube, enquanto a transmissão de Flávio tinha cerca de 534 mil. Os números correspondem a um recorte específico de audiência e não representam necessariamente o pico ou a média das transmissões.

Durante a live, outros temas da campanha também foram abordados. Flávio e aliados fizeram críticas ao mercado de apostas esportivas e relacionaram o crescimento das chamadas bets ao governo federal. Parte dessas afirmações foi posteriormente contestada em checagens da Agência Lupa, que apontou que a legalização das apostas ocorreu durante o governo Michel Temer, enquanto a regulamentação do setor foi implementada posteriormente, já na gestão Lula.

A transmissão também teve a repetição de acusações contra Lula que já haviam sido analisadas por organizações de checagem. A Lupa classificou algumas dessas alegações como falsas ou enganosas e apontou que determinadas afirmações já haviam sido desmentidas anteriormente.

O cancelamento do debate ocorreu na reta final do primeiro turno, marcado para domingo (4). Sem o confronto televisivo previsto pela Globo, Lula e Flávio recorreram a estratégias próprias de comunicação digital para dialogar diretamente com seus eleitores. O episódio passou a integrar a disputa eleitoral também como tema político, com críticas de Flávio às decisões judiciais e justificativas da emissora relacionadas às alterações determinadas pela Justiça.