Investigação

Golpe com falsas vagas de telemedicina mira médicos e envolve apólices de até R$ 7,2 mil

Falsas contratações prometiam salário de R$ 28 mil e exigiam pagamento de seguro para liberar a vaga

Polícia Civil investiga suspeita de golpe envolvendo falsas vagas de emprego para médicos em Santos - Imagem: Divulgação/Polícia Civil e Unsplash (imagem ilustrativa)
Polícia Civil investiga suspeita de golpe envolvendo falsas vagas de emprego para médicos em Santos - Imagem: Divulgação/Polícia Civil e Unsplash (imagem ilustrativa)

Redação Publicado em 07/08/2026, às 10h29


Médicos de Santos estão sendo investigados por um esquema de falsas vagas de trabalho em telemedicina, onde um homem de 21 anos criou uma empresa fictícia e ofereceu remuneração de até R$ 28 mil, exigindo pagamento de um seguro de até R$ 7,2 mil para a contratação.

O suspeito utilizou redes sociais para atrair vítimas, que, após acreditarem na contratação, acabaram divulgando a oportunidade a outros profissionais, resultando em mais de dez pessoas envolvidas e a coleta de dados pessoais sensíveis durante o processo.

A Polícia Civil cumpriu um mandado de busca em Barueri, mas não encontrou o suspeito nem objetos relevantes para a investigação, que continua para identificar outras vítimas e possíveis cúmplices no esquema.

Um grupo de médicos de Santos, no litoral de São Paulo, é investigado como vítima de um esquema de falsas vagas de trabalho em telemedicina. Segundo a Polícia Civil, um homem de 21 anos teria criado uma empresa fictícia, divulgado oportunidades nas redes sociais e oferecido remuneração de até R$ 28 mil. Para concluir a suposta contratação, porém, os candidatos eram orientados a pagar uma apólice de seguro que chegava a R$ 7,2 mil.

O caso é investigado pelo 7º Distrito Policial (DP) de Santos. A apuração começou depois que médicos procuraram a polícia ao perceberem que a oportunidade de trabalho não existia. O investigado foi identificado durante as diligências, mas não havia sido localizado até a última atualização do caso.

De acordo com as investigações, o suspeito teria utilizado uma página no Facebook para anunciar vagas relacionadas a atendimentos médicos por telemedicina. Uma médica demonstrou interesse e passou a conversar diretamente com o homem.

Durante o contato, segundo a Polícia Civil, foi oferecida uma remuneração de R$ 28 mil para a realização de atendimentos em regime de telemedicina. A candidata enviou documentos pessoais e participou de uma chamada de vídeo com o suposto contratante.

O investigado teria utilizado os dados fornecidos para realizar procedimentos que davam aparência de uma contratação formal, incluindo cadastro no eSocial e na Carteira de Trabalho.

A etapa seguinte, segundo o relato investigado pela polícia, envolvia a contratação de um seguro. A médica teria sido informada de que precisaria adquirir uma apólice de R$ 4,1 mil vinculada à empresa para que pudesse assumir a vaga.

Vítimas foram atraídas pela falsa oportunidade

Depois de acreditar que havia sido contratada, a médica passou a divulgar a oportunidade entre outros profissionais interessados em trabalhar em plantões noturnos de telemedicina. Segundo a Polícia Civil, mais de dez pessoas acabaram envolvidas no esquema. Os valores cobrados pelo suposto seguro variavam de R$ 4,1 mil a R$ 7,2 mil.

Além dos pagamentos, os candidatos teriam encaminhado ao investigado uma série de documentos e informações pessoais, incluindo diplomas, comprovantes de residência, dados profissionais e acesso à conta gov.br. A obtenção dessas informações também passou a ser considerada pela investigação, diante do volume de dados fornecidos pelos profissionais durante o processo de falsa contratação.

Após as primeiras denúncias, os policiais identificaram o suspeito e realizaram o reconhecimento por parte das vítimas que haviam participado de chamadas de vídeo com ele. A Polícia Civil informou que o homem possui aproximadamente 36 boletins de ocorrência. Conforme a corporação, a maior parte dos registros está relacionada a suspeitas de estelionato, incluindo golpes envolvendo transferências via Pix, falsas ofertas de emprego e até a atuação como falso advogado.

Os investigadores também encontraram registros semelhantes em diferentes municípios, nos quais as vítimas relataram uma dinâmica que apresentaria características semelhantes às apuradas em Santos. A polícia investiga se os episódios fazem parte de uma atuação recorrente.

Mandado foi cumprido em Barueri

Na terça-feira (4), policiais do 7º DP cumpriram um mandado de busca e apreensão em endereços relacionados ao investigado, em Barueri, na Grande São Paulo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), os moradores autorizaram a entrada dos agentes nos imóveis durante a diligência. Nenhum objeto considerado de interesse para a investigação foi localizado.

O suspeito não estava nos endereços visitados pelos policiais. O caso permanece em investigação para esclarecer a extensão do esquema, identificar outras possíveis vítimas e verificar a participação de eventuais envolvidos.