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Governo de SP destina R$ 2,64 bilhões para tirar o túnel Santos-Guarujá do papel

Crédito suplementar reforça a parte do Estado no projeto aguardado há mais de 100 anos no litoral

O túnel será a primeira travessia imersa do Brasil, com 870 metros submersos, facilitando o trânsito na região - Foto: Reprodução/ Governo de SP
O túnel será a primeira travessia imersa do Brasil, com 870 metros submersos, facilitando o trânsito na região - Foto: Reprodução/ Governo de SP

Redação Publicado em 24/03/2026, às 10h57


A promessa de unir Santos e Guarujá por baixo do mar deu um passo financeiro gigante nesta sexta-feira (20). O Governo de São Paulo oficializou a reserva de R$ 2,64 bilhões para a construção do túnel imerso, uma obra que a Baixada Santista espera há mais de um século. A verba foi liberada por um decreto de crédito suplementar no orçamento da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), garantindo que o Estado tem o "dinheiro na mão" para cumprir sua parte no acordo.

No entanto, nem tudo correu de forma lisa no lado administrativo. O projeto é uma parceria entre o Estado e o Governo Federal, mas o Tribunal de Contas da União (TCU) colocou um freio temporário na parte da União. O tribunal determinou que a Autoridade Portuária de Santos (APS) não envie os seus R$ 2,6 bilhões até que um contrato de governança seja assinado por todos os envolvidos. O objetivo do TCU é garantir que o governo federal tenha poder de fiscalização sobre como esse dinheiro público será gasto na obra.

APS minimiza suspensão

O presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, tratou de tranquilizar a população sobre o bloqueio do TCU. Segundo ele, a suspensão é apenas um ajuste burocrático necessário para garantir a transparência. Pomini afirmou que, assim que as garantias de fiscalização forem formalizadas entre o Estado e a APS, o dinheiro será liberado sem atrasar o cronograma oficial. "Estes ajustes não afetarão o cronograma das obras", reforçou o presidente.

Como será o túnel? Para quem sofre diariamente com as filas das balsas, o projeto promete ser uma revolução. Será a primeira travessia imersa do Brasil, com cerca de 1,5 km de extensão total. A estrutura principal terá 870 metros debaixo d'água, conectando as duas cidades em um trajeto que hoje pode levar até uma hora e passará a ser feito em apenas 5 minutos. Além de facilitar a vida dos moradores, o túnel vai desafogar o trânsito de caminhões no Porto de Santos, o maior da América Latina.

Leilão

Vale lembrar que o projeto já saiu do papel no campo das negociações. O leilão da Parceria Público-Privada (PPP) aconteceu em setembro de 2025, e o grupo Mota-Engil saiu vitorioso. Eles serão os responsáveis por construir, operar e manter o túnel pelas próximas décadas. Com a publicação do decreto nº 70.472/2026 pelo governo paulista, o Estado sinaliza ao mercado e à população que o planejamento está avançando dentro do que foi prometido no edital de junho do ano passado.