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Greve da limpeza urbana mobiliza 3 mil trabalhadores na Baixada Santista

Paralisação afeta serviços de coleta e varrição em Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande, Cubatão e Bertioga

Lixos não coletados próximos a Panificadora Nova Princesa no Canal 5 em Santos - Foto: Arquivo Pessoal
Lixos não coletados próximos a Panificadora Nova Princesa no Canal 5 em Santos - Foto: Arquivo Pessoal

Redação Publicado em 17/03/2026, às 09h00


A manhã desta terça-feira (17) começa sob a expectativa de continuidade da greve que mobilizou quase 3 mil trabalhadores da limpeza urbana na Baixada Santista. O movimento, que estourou nesta segunda-feira (16), atingiu as cidades de Santos, São Vicente, Guarujá, Praia Grande, Cubatão e Bertioga. O motivo da paralisação é a insatisfação generalizada com os valores depositados pelo Grupo Terracom referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), que os funcionários alegam estar muito abaixo do que foi pago no ano anterior.

Sindicato da categoria (Siemaco) afirma que a empresa não foi clara sobre como chegou aos números finais. Segundo os trabalhadores, as metas não foram compartilhadas com antecedência, impedindo que eles soubessem o que estava sendo descontado. Enquanto em algumas unidades o bônus chegou a 35% do salário, em outras não passou de 20%, gerando um sentimento de injustiça entre as diferentes garagens operacionais. "O dinheiro caiu na conta na sexta-feira e a surpresa foi negativa para todo mundo", relatou um ajudante geral que participou do piquete em Guarujá.

Motivo do descontentamento nas garagens

Nas assembleias realizadas nas portas das empresas, o clima era de indignação. Os funcionários apontam que, apesar de o volume de trabalho ter continuado alto, o repasse financeiro não acompanhou o faturamento das concessionárias. Para os coletores e varredores, a falta de critérios objetivos para o cálculo, que envolve desde o consumo de combustível até a pesagem do lixo, deixa o trabalhador "no escuro" na hora de receber o benefício anual.

O sindicato reforça que tentou abrir um diálogo com a Terracom e com o Consórcio PG Eco Ambiental antes de decidir pela paralisação, mas as respostas não foram satisfatórias. A categoria exige que a empresa abra a "caixa-preta" dos cálculos e mostre detalhadamente como a desempenho de cada equipe foi avaliada. Para os grevistas, o pagamento atual ignora o esforço diário de quem mantém as cidades limpas sob sol e chuva.

Próximos passos do movimento

Uma nova assembleia-geral acontece às 6h desta terça-feira (17) para definir se a greve continua com força total ou se haverá um recuo estratégico. A intenção do sindicato é propor que a categoria retome as atividades apenas se houver um compromisso real de revisão dos valores. Os trabalhadores estão dispostos a manter a pressão, alegando que o bônus é um direito conquistado e que não aceitarão cortes sem justificativas comprovadas.

A análise técnica dos documentos entregues pela empresa só deve ficar pronta na sexta-feira. Até lá, o impasse continua: de um lado, trabalhadores que se sentem desvalorizados financeiramente e, de outro, as garagens com caminhões parados. O movimento destaca a força da categoria, que em apenas um turno de braços cruzados já mostrou o impacto imediato da ausência do serviço de limpeza nas ruas e calçadas de toda a Baixada Santista.