Ex-chefe do executivo discute estratégias para reduzir absenteísmo em consultas e filas para exames na saúde pública

Gabriel Nubile Publicado em 14/11/2025, às 13h48
Um dos principais desafios enfrentados pelo ex-prefeito de Guarulhos, Guti, ao assumir a gestão em 2017, foi um problema crônico de abastecimento de água. Na época, 92% da cidade sofria com rodízio, ficando até três dias sem água. Em entrevista exclusiva à Rádio CBN Santos nesta sexta-feira (14), o ex-prefeito detalhou como reverteu essa e outras crises em seus oito anos de mandato (2017–2024).
Guti, que esteve na Baixada Santista para encontros políticos, explicou que a solução para a crise hídrica veio em dezembro de 2020, com a concessão do serviço para a Sabesp. A medida, segundo ele, livrou o município de uma dívida de R$ 3,4 bilhões e garantiu R$ 2 bilhões em investimentos, universalizando o acesso à água. Ele também destacou o salto no tratamento de esgoto, que foi de 2% para 40%, tirando de Guarulhos o “título horrível” de maior poluidor do Rio Tietê.
Na área da Saúde, Guti abordou problemas comuns também à realidade da Baixada Santista, como as longas filas para exames e o alto índice de faltas em consultas (absenteísmo), que em Guarulhos chegava a 33%.
“Tínhamos um índice de absenteísmo de 33%, ou seja, a cada três pessoas, uma marcava a consulta e não aparecia. Conseguimos diminuir bastante esse número com busca ativa, ligando para confirmar 48 horas antes. Para as filas de exames, uma das soluções é fazer mutirões, como os programas do tipo 'Corujão', comprando vagas na iniciativa privada. Muitos hospitais ficam ociosos à noite e, por isso, conseguem praticar um preço mais barato para a prefeitura comprar esses horários.”, afirmou Guti.
Na Educação, o ex-prefeito citou um programa chamado “Faculdade Municipal Guarulhos”. A iniciativa consistia na compra de vagas ociosas em universidades privadas para alunos de baixa renda. A contrapartida era que, após a formatura, o novo profissional (enfermeiro, professor ou psicólogo) deveria “devolver” o investimento trabalhando por um período na rede pública municipal, como em UBSs ou escolas.
Guti, que já foi vereador por dois mandatos antes de ser prefeito, também ressaltou a importância estratégica da ligação entre o Aeroporto de Guarulhos e o Porto de Santos para a economia do Brasil. Ele defendeu que os prefeitos da Baixada Santista trabalhem mais em conjunto, através de um consórcio regional, para ganhar poder de compra e força política, assim como, segundo ele, era feito no consórcio do Alto Tietê (Condemate), o qual presidiu.
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