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Hapvida estrutura nova fase com foco em eficiência e sustentabilidade

Plano de Transformação reúne iniciativas para recuperar margens, fortalecer o caixa e preparar companhia para um novo ciclo de crescimento

Com um diagnóstico detalhado, a Hapvida busca eficiência em sua operação - Foto: Divulgação
Com um diagnóstico detalhado, a Hapvida busca eficiência em sua operação - Foto: Divulgação

Redação Publicado em 13/08/2026, às 14h59


A Hapvida iniciou uma nova etapa de sua trajetória em 2026, marcada por um amplo processo de transformação operacional e financeira. A companhia está colocando em prática um conjunto de medidas voltadas à recuperação de margens, fortalecimento da geração de caixa e redução da alavancagem, ao mesmo tempo em que busca aprimorar a experiência de seus beneficiários.

As diretrizes foram apresentadas pela administração durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre, realizada nesta quinta-feira (13). À frente da companhia desde abril, o CEO Luccas Adib destacou que o processo combina ações imediatas com mudanças estruturais que devem produzir efeitos ao longo dos próximos trimestres.

  • “Estamos trabalhando incansavelmente no nosso Plano de Transformação para ajustar nossa rota, cujo norte está calcado em recuperação de margem, geração de caixa com consequente desalavancagem e melhoria do nosso produto, a partir da revisão da jornada do beneficiário”, afirmou.

A estratégia parte de um diagnóstico detalhado da operação. A companhia está avaliando sua carteira de beneficiários, contratos, rede própria, prestadores, despesas administrativas e mecanismos de controle, buscando direcionar recursos para operações com maior eficiência e sustentabilidade.

No segundo trimestre, a Hapvida alcançou receita líquida de R$ 7,97 bilhões, crescimento de 3,9% em relação ao mesmo período anterior. O avanço foi acompanhado por uma alta de 5,7% no tíquete médio mensal, que chegou a R$ 305,90.

A base de beneficiários encerrou junho com 8,67 milhões de vidas. A redução trimestral de 16 mil beneficiários foi inferior às perdas observadas em períodos anteriores, enquanto a companhia registrou adições líquidas positivas durante cinco meses consecutivos na região metropolitana de São Paulo e por dois meses no Rio de Janeiro.

Crescimento com maior qualidade

Uma das prioridades da nova gestão é combinar expansão comercial com maior qualidade da carteira. Para isso, a Hapvida está revisando produtos, canais, preços, rede de atendimento e relacionamento com corretores.

O modelo adotado em São Paulo e no Rio de Janeiro deverá ser levado para o interior paulista, Minas Gerais, Sul do país e outras grandes praças, além de ampliar a atuação no segmento corporativo.

Outro movimento importante foi a reativação da marca NotreDame Saúde como opção premium, inicialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. A iniciativa amplia o portfólio da companhia e permite oferecer uma alternativa voltada a consumidores que buscam uma experiência diferenciada.

Operação mais eficiente

No campo assistencial, a empresa passou a analisar hospitais, clínicas e estruturas de diagnóstico individualmente, considerando fatores como ocupação, escala de profissionais, especialidades e utilização.

Centenas de leitos ociosos já foram racionalizados, enquanto a companhia prevê reduzir mais de 30 unidades, entre fechamentos e revisão de aberturas planejadas.

A Hapvida também está ampliando o empacotamento de procedimentos com prestadores terceiros. Em São Paulo, aproximadamente 40% do custo cirúrgico já estava contemplado nesse modelo nos últimos 60 dias, com previsão de expansão para o Rio de Janeiro e interior paulista.

Tecnologia como aliada

A reestruturação da área de riscos também faz parte do plano. Ferramentas de inteligência artificial, análise de dados e estatística passaram a ser utilizadas para aprimorar a identificação de irregularidades e combater fraudes e desperdícios.

Na área administrativa, estão em revisão contratos que representam mais de R$ 4 bilhões em gastos anuais. A companhia também trabalha na padronização de prazos de pagamento, medida que deve contribuir para a gestão do capital de giro.

Para Adib, a transformação exige disciplina e visão de longo prazo.

  • “Não é uma trajetória simples e nem linear. A recuperação exige disciplina de planejamento e execução, além de técnica e senso de urgência, sem ansiedade. Temos um diagnóstico claro, um plano em curso e devemos ser cobrados pela execução”, afirmou.

A proposta é construir uma operação mais eficiente e sustentável, com decisões orientadas por dados e indicadores e uma visão de médio e longo prazo. Para a Hapvida, a combinação entre eficiência, crescimento comercial e melhoria da experiência dos beneficiários será fundamental para preparar a companhia para um 2027 mais previsível.