Justiça

Homem é condenado a 37 anos por tentar matar ex-companheira a facadas em Santos

Lucas Lopes da Silva foi considerado culpado por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, atingida por mais de 20 golpes em março de 2025; filho da vítima, de 4 anos, presenciou o ataque

Mulher atacada com mais de 20 golpes de faca pelo ex-companheiro, em março de 2025, ficou com cicatrizes e outras sequelas. Lucas Lopes da Silva foi condenado a 37 anos e quatro meses de prisão por tentativa de feminicídio - Imagem: Arquivo Pessoal
Mulher atacada com mais de 20 golpes de faca pelo ex-companheiro, em março de 2025, ficou com cicatrizes e outras sequelas. Lucas Lopes da Silva foi condenado a 37 anos e quatro meses de prisão por tentativa de feminicídio - Imagem: Arquivo Pessoal

Redação Publicado em 28/08/2026, às 14h42


Lucas Lopes da Silva foi condenado a 37 anos e quatro meses de prisão pela tentativa de feminicídio de sua ex-companheira, que sofreu mais de 20 facadas em um ataque presenciado pelo filho de 4 anos da vítima.

O crime ocorreu em março de 2025, motivado pela recusa da mulher em continuar o relacionamento, e resultou em sérias sequelas físicas e emocionais para a vítima, que ficou internada por nove dias.

Apesar da defesa alegar legítima defesa e a falta de intenção de matar, o Tribunal do Júri acolheu a acusação, levando à condenação de Lucas, que ocorreu cerca de um ano e meio após o ataque.

Lucas Lopes da Silva, de 31 anos, foi condenado a 37 anos e quatro meses de prisão pela tentativa de feminicídio da ex-companheira, atacada com mais de 20 golpes de faca dentro de uma residência no bairro Embaré, em Santos. A sentença foi definida após julgamento realizado na quarta-feira (26), no Tribunal do Júri da cidade. O crime ocorreu em 2 de março de 2025 e foi presenciado pelo filho da vítima, que tinha 4 anos na época.

A sessão começou por volta das 9h30 e terminou aproximadamente às 15h30. O Conselho de Sentença foi formado por sete jurados, sendo seis homens e uma mulher. Segundo a advogada Tatiana La Scala Lambauer, assistente da acusação, as consequências físicas e emocionais sofridas pela vítima foram consideradas na definição da pena. A sentença foi proferida pela juíza Thais Caroline Brecht Esteves, da Vara do Júri de Santos. Ataque deixou sequelas físicas e emocionais.

Ela foi atingida por mais de 20 facadas e permaneceu internada por nove dias após o crime, incluindo um período na Unidade de Terapia Intensiva. Meses depois, ainda apresentava consequências relacionadas às agressões, entre elas crises de ansiedade, dores musculares, dificuldades respiratórias e problemas para falar. Segundo a assistente de acusação, a mulher também ficou com sequelas pulmonares e cicatrizes provocadas pelos golpes. O fato de o filho da vítima ter presenciado o ataque também foi considerado pela magistrada na fixação da pena, conforme informado pela advogada.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, Lucas não aceitava o término do relacionamento. A vítima relatou durante a apuração que decidiu encerrar a relação em razão de comportamentos que classificava como ciumentos e obsessivos. Por medo, segundo o relato, ela concordou posteriormente em manter contato e uma relação de amizade com o ex-companheiro. Na noite anterior ao ataque, Lucas estava na residência da vítima porque havia se oferecido para cuidar do filho dela.

Segundo a versão apresentada pela mulher, uma discussão começou depois que o ex-companheiro acessou um aparelho celular antigo e percebeu que ela trabalhava em um ambiente profissional composto majoritariamente por homens. Durante a discussão, ocorreu o ataque com a faca.

O filho da vítima, então com 4 anos, estava na residência e presenciou a agressão. Após o ataque, Lucas acionou a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e permaneceu no endereço aguardando a chegada das equipes. Ele não foi preso imediatamente após o crime. A prisão ocorreu 16 dias depois.

Posteriormente, a Justiça determinou que o acusado fosse submetido ao Tribunal do Júri por tentativa de feminicídio. A decisão que levou o caso a julgamento considerou elementos como o boletim de ocorrência, depoimentos colhidos ao longo da investigação e laudos periciais produzidos sobre o local e sobre as lesões da vítima.

Durante o processo, a defesa de Lucas sustentou que ele não teve intenção de matar a ex-companheira. O advogado Giuliano Luiz Teixeira Gaino também apresentou a tese de legítima defesa. Segundo a versão defendida antes do julgamento, a vítima teria atacado Lucas primeiro com uma faca, e ele teria conseguido desarmá-la.

A defesa argumentou ainda que o fato de o acusado ter chamado a Polícia Militar e o Samu após o episódio seria incompatível com a intenção de provocar a morte da ex-companheira. Os jurados, no entanto, acolheram a acusação de tentativa de feminicídio, resultando na condenação.

Ao final do julgamento, Lucas recebeu pena de 37 anos e quatro meses de prisão. A condenação ocorre cerca de um ano e meio após o ataque registrado no Embaré. As informações apresentadas não detalham eventual recurso da defesa contra a sentença.