Aparelho foi encontrado em um banheiro feminino de prédio comercial; Polícia Civil apura existência de outras vítimas e o destino dos vídeos

Redação Publicado em 17/07/2026, às 16h13
Um homem de 21 anos, investigado por esconder um celular em um banheiro feminino para gravar mulheres em Santos, já havia sido denunciado pelo mesmo crime em 2024, o que levanta preocupações sobre a reincidência de comportamentos voyeurísticos.
O investigado foi identificado após duas mulheres encontrarem o celular em um banheiro destinado a deficientes, e a polícia está analisando o conteúdo do aparelho, que pode conter gravações de outras vítimas.
Durante a operação policial, foram apreendidos vários dispositivos eletrônicos e simulacros de arma, e o homem afirmou estar em tratamento psicológico, enquanto a investigação busca determinar se as gravações eram para consumo próprio ou comercialização.
Um homem de 21 anos investigado por esconder um celular em um banheiro feminino para gravar mulheres em Santos, no litoral de São Paulo, já havia sido denunciado pelo mesmo tipo de crime em 2024. Na ocasião, um aparelho foi localizado em um banheiro de uma rede de fast food no bairro Aparecida. Nos dois episódios, ele foi liberado após prestar depoimento à polícia.
O caso mais recente é investigado pelo 3º Distrito Policial de Santos. Duas mulheres encontraram um celular escondido sob a pia de um banheiro destinado a mulheres com deficiência, em um prédio comercial também localizado no bairro Aparecida. A câmera do aparelho estava direcionada para o vaso sanitário.
As vítimas registraram um boletim de ocorrência na semana passada. A investigação avançou após imagens do sistema de monitoramento mostrarem o homem entrando mais de uma vez no banheiro onde o celular foi encontrado.
Segundo informações obtidas pela reportagem junto à Polícia Civil, o investigado foi identificado e ouvido pelas autoridades. O crime de registro não autorizado da intimidade sexual tem pena prevista de seis meses a um ano de reclusão, além de multa. Por ter pena máxima inferior a quatro anos, a infração, em regra, não resulta em prisão automática durante a investigação.
Durante o depoimento, o homem confirmou que o celular encontrado no banheiro era dele. À polícia, afirmou fazer acompanhamento psicológico e psiquiátrico em razão de um comportamento voyeurístico.
Segundo o relato registrado na investigação, ele teria desenvolvido atração sexual pela observação da intimidade de terceiros sem o conhecimento das vítimas. O investigado também declarou ter consumido pornografia de forma excessiva durante anos.
Ainda conforme o depoimento, o homem afirmou buscar controlar os impulsos por meio de tratamento especializado. Ele também disse não se lembrar de como o celular foi parar no banheiro e atribuiu possíveis lapsos de memória ao uso de medicamentos psiquiátricos.
Polícia apura possível existência de outras vítimas
A Polícia Civil investiga se o homem registrou imagens apenas para consumo próprio ou se os vídeos foram produzidos com a intenção de comercialização em sites de pornografia.
Em entrevista, o delegado Wagner Camargo Gouveia afirmou que o celular apreendido contém horas de gravações e possíveis imagens de outras vítimas que ainda precisam ser identificadas.
A análise do conteúdo dos equipamentos apreendidos deve contribuir para esclarecer a extensão da investigação.
Aparelhos e simulacros foram apreendidos
Na terça-feira (14), policiais cumpriram dois mandados de busca e apreensão no prédio comercial e na residência do investigado. Durante a operação, foram recolhidos um celular, um computador, um notebook e quatro simulacros de arma de fogo.
Conforme o boletim de ocorrência, o investigado forneceu as senhas dos dispositivos e autorizou o acesso ao conteúdo armazenado, a extração de dados e a realização das perícias técnicas.
Em nota, a administração do prédio comercial confirmou apenas o cumprimento da ordem judicial no local.
Caso semelhante foi registrado em 2024
Dois anos antes, o homem já havia sido conduzido à delegacia após uma denúncia envolvendo um celular escondido em um banheiro de uma rede de fast food no bairro Aparecida, em Santos.
A Polícia Civil não divulgou a identidade do investigado. Por esse motivo, não foi possível localizar a defesa dele até a última atualização da investigação.
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