Saúde

Homem picado por cobra relata ter recebido soro para espécie errada

Paciente afirma que levou 22 doses de antídoto após acidente com jararacuçu e questiona atendimento médico após complicações durante internação

Leandro Marques do Nascimento ficou cerca de um mês internado após ser picado por uma cobra jararacuçu durante pescaria em Eldorado - Imagem: Arquivo Pessoal
Leandro Marques do Nascimento ficou cerca de um mês internado após ser picado por uma cobra jararacuçu durante pescaria em Eldorado - Imagem: Arquivo Pessoal

Redação Publicado em 09/04/2026, às 15h40


Um servidor público de 46 anos enfrentou complicações graves após ser picado por uma cobra em Eldorado, São Paulo, onde recebeu tratamento inadequado com soro antiofídico, o que agravou sua condição de saúde.

O incidente ocorreu em 7 de março, quando Leandro Marques do Nascimento foi picado enquanto pescava; ele inicialmente recebeu soro para cascavel, mas a cobra era uma jararacuçu, o que levou a um agravamento do quadro clínico.

Após uma transferência para outro hospital e a administração de soro correto, Leandro recebeu alta após um mês, mas ficou com sequelas; o hospital envolvido não comentou o caso, enquanto a Santa Casa ainda não se manifestou.

Um servidor público de 46 anos afirma ter enfrentado um grave quadro de saúde após ser picado por uma cobra enquanto pescava em Eldorado, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. Segundo o relato de Leandro Marques do Nascimento, ele recebeu doses de soro destinadas ao veneno de uma espécie diferente da responsável pelo acidente, o que teria agravado seu estado clínico.

O episódio ocorreu no dia 7 de março, no Parque Salto da Usina. Leandro estava pescando com a esposa quando sentiu uma forte dor e percebeu marcas na perna que indicavam uma picada. Próximo ao local, ele conseguiu localizar a cobra e registrou imagens do animal antes de seguir para atendimento médico.

Ele foi levado ao pronto-socorro da Santa Casa de Eldorado, onde, segundo o paciente, os profissionais de saúde suspeitaram inicialmente de um ataque de cascavel. Com base nessa hipótese, foram administradas dez doses de soro antiofídico específico para essa espécie.

Horas depois, porém, o quadro clínico do paciente teria piorado. De acordo com o relato, ele apresentava inchaço intenso na perna, pressão alta e urina escura. Diante da gravidade, Leandro foi transferido para o Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua, em Pariquera-Açu.

Na segunda unidade hospitalar, ele recebeu duas doses de soro voltadas ao tratamento de picadas de jararacuçu, espécie que mais tarde seria apontada como responsável pelo acidente. Ainda assim, ao consultar o prontuário médico, um profissional teria identificado que o paciente já havia recebido soro contra cascavel e decidiu administrar mais dez doses do mesmo antídoto.

Somente dias depois, ao enviar as fotos da cobra para especialistas, Leandro afirma ter recebido a confirmação de que o animal era uma jararacuçu (Bothrops jararacussu). O Instituto Butantan orientou que a equipe médica fosse informada sobre a possível divergência na identificação da espécie.

O paciente relata que tentou comunicar a informação ao hospital, mas afirma que a recomendação inicial não foi seguida. Segundo ele, uma cirurgia para aliviar a pressão na perna só foi realizada após a esposa acionar a Polícia Militar.

Após cerca de um mês de internação, Leandro recebeu alta hospitalar na segunda-feira (6). Ele afirma ter ficado com sequelas e relata dificuldades para movimentar a perna afetada.

Em nota, o Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua informou que não comenta casos específicos por causa do sigilo médico, mas destacou que os atendimentos são realizados seguindo protocolos assistenciais estabelecidos. A Santa Casa de Eldorado não havia se manifestado até a última atualização do caso.