Mudança climática

Impactos do nível do mar em Santos: estudo da Unifesp alerta para ameaça ambiental

Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo destaca vulnerabilidade da Ponta da Praia aos efeitos do avanço do mar e ressacas intensas.

Imagem: Repdorução / Vanessa Rodrigues / AT
Imagem: Repdorução / Vanessa Rodrigues / AT

Redação Publicado em 14/03/2026, às 00h40


Um estudo da Universidade Federal de São Paulo, em parceria com a Prefeitura de Santos, revela que a Ponta da Praia é a área mais vulnerável do litoral paulista ao avanço do mar, destacando a necessidade de ações urgentes após ressacas intensas em 2026.

Um estudo conduzido pela Universidade Federal de São Paulo em parceria com a Prefeitura de Santos aponta que a Ponta da Praia se tornou a área mais vulnerável do litoral paulista aos impactos do avanço do mar. A constatação foi incluída no Plano de Ação Climática atualizado em outubro de 2025 e ganhou novo destaque em 2026 após registros recentes de ressacas mais intensas na orla da cidade.

De acordo com o levantamento, o fenômeno tem relação direta com a elevação gradual do nível do mar, registrada por equipamentos de monitoramento e por projeções científicas. O Mareógrafo de Santos indica que o nível médio da água subiu cerca de 25 centímetros desde 1944. Segundo estudos da Universidade de São Paulo, o ritmo atual de elevação chega a aproximadamente 5 milímetros por ano, processo que contribui para a redução da faixa de areia na orla.

Projeções da NASA indicam que o nível do mar pode subir outros 20 centímetros até 2050 na costa santista. Esse cenário aumenta a pressão sobre a infraestrutura urbana e interfere no funcionamento dos canais de drenagem da cidade.

Impactos na drenagem e nas ressacas

Com a maré mais elevada, o escoamento da água dos canais pode ser comprometido. Esse efeito aumenta o risco de alagamentos e potencializa o impacto de ressacas durante períodos de frente fria ou tempestades no litoral.

Segundo especialistas citados no estudo, esse conjunto de fatores coloca Santos como o município mais exposto aos efeitos climáticos no estado de São Paulo.

Erosão na ponta da praia

A Ponta da Praia aparece como o ponto mais sensível desse processo. A erosão acelerada reduziu significativamente a faixa de areia em vários trechos do bairro. Sem essa proteção natural, a estrutura das muretas e do calçadão passa a receber o impacto direto das ondas e das correntes marítimas.

A proximidade com a área portuária e o aumento recente no nível médio do mar contribuem para agravar o cenário. Em situações de maré alta, a pressão sobre a orla pode afetar tanto a mobilidade quanto a estrutura urbana do entorno.

Medidas adotadas e novos projetos

Entre as ações já implementadas estão os geobags instalados em 2018 para reduzir a força das ondas. No entanto, relatórios da Secretaria de Meio Ambiente divulgados em 2026 indicam que a medida tem efeito limitado e funciona apenas como solução temporária.

A nova estratégia discutida por especialistas envolve o uso de soluções baseadas na natureza. O projeto prevê a instalação de recifes artificiais no fundo do mar, capazes de reduzir a energia das ondas antes que elas alcancem a faixa costeira.

A proposta busca diminuir o impacto direto sobre a orla e preservar estruturas urbanas da cidade.