Município afirma que remoção de laje no edifício causou instabilidade no solo, provocando novos buracos a cada chuva

Redação Publicado em 27/02/2026, às 08h44
A cratera que se abriu no dia 5 de fevereiro na Rua Pero Lopes de Souza, no bairro Vila Valença, tornou-se o símbolo de um drama que se arrasta há anos para os moradores do Edifício Solaris. Com oito metros de comprimento e quatro de largura, o buraco não apenas engoliu o asfalto e a calçada, mas também a tranquilidade de quem vive ali. Cezar Augusto Matiussi, morador do prédio há oito anos, relata uma rotina de penúria: as garagens estão interditadas há seis anos e, em dias de chuva forte, os elevadores precisam ser desligados por segurança, obrigando idosos e doentes a subirem até 17 andares de escada.
O problema, que já havia ocorrido em abril do ano passado, é visto pelos moradores como uma falha nunca resolvida definitivamente. Eles afirmam já ter vencido a construtora Tucson em todas as esferas judiciais, mas a obrigação de corrigir os defeitos estruturais no subsolo ainda não foi cumprida. Enquanto a solução não vem, críticas sobram para as medidas paliativas da prefeitura, como o uso de plásticos que, segundo Cezar, acabam direcionando a água da chuva justamente para dentro da fundação do edifício.
"Jogo de empurra" entre Prefeitura e Construtora
A Prefeitura de São Vicente rebate as críticas e joga a responsabilidade diretamente para a construtora. Segundo o secretário de Licenciamento, Gabriel Birkett, a cratera é uma consequência de uma obra irregular no subsolo do prédio. A empresa teria demolido o piso original sem autorização ou acompanhamento técnico, deixando o solo exposto. Sem essa proteção, a água do lençol freático e das chuvas "empurra" a terra de fora para dentro do subsolo, fazendo com que o asfalto na rua ceda e a cratera se abra repetidamente.
Para provar que não há demora administrativa, a prefeitura detalhou o histórico do processo:
Espera pela estiagem para novo fechamento
A área continua interditada e monitorada pela Defesa Civil. A prefeitura prometeu fechar o buraco mais uma vez, mas explicou que isso só será possível quando o solo estiver seco. Com o volume de chuvas elevado em fevereiro, o terreno está muito instável, o que impede a entrada de máquinas e trabalhadores no local sem risco de novos desabamentos.
O secretário Birkett foi taxativo: enquanto a construtora não refizer a laje do subsolo e corrigir o sistema de drenagem interno, qualquer conserto na rua será apenas um paliativo ("enxugar gelo"), e a cratera poderá voltar a abrir em cada tempestade. Até o momento, a construtora Tucson não se manifestou sobre as acusações ou sobre a paralisação do processo de regularização.
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