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Inadimplência em Santos sobe 10% em um ano e dívida média do consumidor ultrapassa R$ 6 mil

Levantamento revela que tempo médio de atraso nos pagamentos chega a dois anos e meio na cidade

Com aumento de 0,59% em janeiro, Santos enfrenta desafios financeiros, especialmente após as despesas de início de ano - Foto: Reprodução
Com aumento de 0,59% em janeiro, Santos enfrenta desafios financeiros, especialmente após as despesas de início de ano - Foto: Reprodução

Redação Publicado em 02/03/2026, às 09h03


O início de 2026 trouxe um alerta financeiro para os moradores de Santos, no litoral de São Paulo. De acordo com o mais recente levantamento divulgado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) Santos Praia, com base em dados da CNDL e do SPC Brasil, a cidade registrou uma nova alta na inadimplência no mês de janeiro. Embora o crescimento mensal de 0,59% tenha sido ligeiramente inferior ao registrado em dezembro (1,02%), o acumulado anual revela uma realidade preocupante: a comparação entre janeiro de 2026 e o mesmo período de 2025 mostra um salto de 10,10% no número de devedores, índice que supera as médias da região Sudeste (8,89%) e do próprio Brasil (9,39%).

O presidente da CDL Santos Praia, Nicolau Miguel Obeidi, explica que esse fenômeno é sazonal, mas agravado pela conjuntura econômica. O primeiro mês do ano é tradicionalmente difícil para o orçamento doméstico devido ao acúmulo de tributos como IPVA e IPTU, além dos gastos com material escolar. Somado a isso, as faturas das compras parceladas no Natal começam a vencer, criando um efeito de "bola de neve" para quem não se planejou. "Orientamos sempre que as pessoas procurem se organizar para não passar o ano com dificuldades", analisa o dirigente, destacando que a educação financeira é a única saída para estancar o crescimento desses índices.

Perfil do devedor santista e o peso dos bancos

O levantamento detalha quem é o consumidor inadimplente em Santos e revela dados curiosos sobre o comportamento financeiro na cidade. A maior concentração de pessoas com o nome negativado está na faixa etária de 50 a 64 anos, representando quase 25% do total. Quanto ao gênero, há um equilíbrio quase exato, com as mulheres representando 52,59% dos devedores e os homens 47,41%. No entanto, o que mais chama a atenção é o valor das dívidas: em média, cada consumidor negativado em Santos deve R$ 6.286,82, considerando a soma de todos os seus débitos em atraso.

A análise por setores mostra onde o problema está mais concentrado. O setor bancário é, isoladamente, o maior credor da cidade, sendo responsável por 78,30% das dívidas registradas em janeiro. Em seguida, aparecem contas de consumo básico como Água e Luz (6,15%), Comunicação (3,73%) e o Comércio (2,54%). O fato de as dívidas bancárias (cartão de crédito, cheque especial e empréstimos) liderarem com tamanha folga indica que o custo do crédito e os juros compostos são os principais vilões do endividamento santista, dificultando a quitação rápida dos débitos.

Tempo de atraso e perspectivas para 2026

Outro dado alarmante do relatório é o tempo em que o consumidor permanece "no vermelho". Em Santos, o tempo médio de atraso nas contas é de 29,5 meses, ou seja, dois anos e cinco meses. Mais de 35% dos devedores estão nessa situação há pelo menos um ano, o que caracteriza uma inadimplência estrutural, onde o consumidor perde a capacidade de negociação imediata. Em média, cada inadimplente na cidade possui 2,296 dívidas em atraso, número superior à média nacional (2,259), mostrando que o problema raramente é uma conta isolada, mas sim um desequilíbrio financeiro generalizado.

Para os próximos meses, a expectativa da CDL Santos Praia é de que as campanhas de renegociação de dívidas possam oferecer um fôlego aos consumidores. A recomendação para quem está nessa lista é priorizar o pagamento de contas que incidem juros mais altos, como as bancárias, e tentar acordos que permitam a retirada do nome dos órgãos de proteção ao crédito. Sem uma melhora real no poder de compra e uma estabilização dos preços, o desafio de Santos será evitar que a marca de 10% de alta anual continue avançando, o que poderia comprometer o desempenho do comércio local ao longo de todo o ano de 2026.