Perfil técnico, trajetória no serviço público e vínculos históricos com a comunidade batista moldam a figura do futuro sabatinado.

Redação Publicado em 01/12/2025, às 07h35
A escolha de Jorge Rodrigo Araújo Messias para o Supremo Tribunal Federal repercutiu no Senado e entre lideranças religiosas. Evangélico de formação batista e servidor de carreira, Messias construiu a imagem de técnico discreto, avesso a conflitos — característica vista por aliados como valiosa em meio à atual tensão institucional.
Nascido no Recife e criado parte da infância em Teresina, estudou em escola pública e cresceu ligado à Igreja Batista Cristã. Em palestra na UFPE, em 2022, afirmou que essas duas referências estruturaram sua percepção de serviço público e sua noção de responsabilidade social.
De volta ao Recife, cursou Direito na UFPE enquanto fazia estágios. Em 2003, foi aprovado em concurso da Caixa Econômica Federal, experiência que costuma citar como um marco para entender o peso das decisões burocráticas na vida dos cidadãos. Depois, acumulou aprovações como analista do Judiciário, procurador dos Tribunais de Contas, procurador do Banco Central e, por fim, procurador da Fazenda Nacional, posição que o projetou para o núcleo jurídico da União.
A partir dos governos petistas, Messias passou a ocupar funções estratégicas na Casa Civil, sempre em áreas jurídicas sensíveis. Colegas o descrevem como metódico, com preferência por decisões previsíveis, estudo aprofundado e recusa ao improviso. Entre 2019 e 2022, atuou informalmente como consultor legislativo em assuntos jurídicos no Senado, consolidando boa relação com parlamentares de diferentes siglas. O presidente da CCJ, Davi Alcolumbre, já afirmou que Messias sempre atuou com “respeito institucional e clareza técnica”.
No comando da Advocacia-Geral da União desde 2023, liderou negociações complexas com estados, empresas e órgãos de controle, priorizando acordos e evitando disputas prolongadas. Em agosto de 2024, ao anunciar uma conciliação envolvendo estados da região Norte, declarou que o litígio “deve ser a última alternativa do Estado”, repetindo discurso que aliados interpretam como símbolo de seu perfil pacificador.
A interlocução com comunidades religiosas também reforçou sua indicação. Embora não atue publicamente como líder de fé, mantém vínculos históricos com a tradição batista. Em nota, o presidente da Convenção Batista de Pernambuco, pastor Marcílio Barros, afirmou que sua indicação “representa brasileiros cuja fé se traduz em serviço e responsabilidade”.
No Senado, integrantes da base acreditam que Messias pode ajudar a reduzir tensões políticas na Corte, enquanto o governo o vê como aposta para estabilidade institucional. Ao anunciar o nome, o presidente Lula disse que o país “precisa de pessoas equilibradas no Supremo” e que Messias reúne “preparo técnico, serenidade e compromisso com a democracia”.
A oposição mantém cautela e aguarda a sabatina para avaliar sua posição sobre temas sensíveis, como a judicialização da política e as decisões monocráticas.
Messias chega ao Senado com o rótulo de servidor técnico, articulador discreto e figura religiosa moderada — um perfil que seus apoiadores enxergam como resposta possível ao desgaste institucional que marcou os últimos anos.
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