TJ-SP apontou interpretação equivocada da legislação e entendeu que o influenciador extrapolou a liberdade de expressão ao expor a empresa nas redes sociais

Redação Publicado em 20/07/2026, às 15h44
O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o influenciador Gabriel Piccolo a pagar R$ 30 mil por danos morais após ele publicar um vídeo que expôs uma imobiliária, interpretando a legislação de forma errada e ultrapassando os limites da liberdade de expressão. A decisão foi tomada em segunda instância e ainda cabe recurso.
Piccolo, conhecido como 'Menino da Lei', possui mais de 3 milhões de seguidores e produz conteúdos sobre leis, embora não tenha formação em Direito. O caso surgiu após ele gravar uma discussão sobre estacionamento em frente à imobiliária, alegando que o espaço era público, o que foi contestado pela defesa da empresa.
O TJ-SP reformou uma decisão anterior que havia rejeitado o pedido de indenização, considerando que a imobiliária poderia ser identificada nas imagens do vídeo. A indenização será dividida entre a imobiliária e seu proprietário, enquanto o tribunal negou pedidos de retratação pública e de restrições futuras às manifestações de Piccolo.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou o influenciador Gabriel Piccolo, conhecido como “Menino da Lei”, ao pagamento de R$ 30 mil por danos morais após a publicação de um vídeo sobre uma discussão envolvendo o estacionamento de uma imobiliária. A decisão, proferida em segunda instância, apontou que Piccolo interpretou a legislação de forma equivocada e ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao expor a empresa nas redes sociais. Ainda cabe recurso.
Morador de Praia Grande, no litoral de São Paulo, Gabriel Piccolo tem mais de 3 milhões de seguidores e produz vídeos com explicações sobre leis, embora não tenha formação superior em Direito.
O caso começou depois que o influenciador publicou um vídeo de uma discussão com o proprietário de uma imobiliária. Piccolo havia estacionado o carro no local e passou a gravar a situação após ser orientado a retirar o veículo. Na gravação, ele afirmou que o espaço seria público e questionou a situação da guia rebaixada da calçada. O influenciador também citou normas relacionadas ao estacionamento e orientou os seguidores sobre como agir em situações semelhantes.
A defesa da imobiliária, porém, sustentou que o conteúdo partiu de uma interpretação equivocada de uma norma do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Segundo os advogados, o comércio está situado em um trecho onde não é permitido estacionar em via pública e, portanto, a inexistência de vagas públicas no local não caracterizaria apropriação de espaço público.
Decisão do TJ-SP
O proprietário da imobiliária havia pedido R$ 80 mil por danos morais. Em setembro de 2025, a Justiça de primeira instância rejeitou a ação por entender que a empresa não havia sido identificada diretamente no vídeo.
O caso foi levado ao TJ-SP após recurso. Ao analisar o processo, o tribunal reformou a decisão e reconheceu o direito à indenização. Os desembargadores entenderam que, embora o nome da imobiliária não tenha sido citado, o estabelecimento poderia ser identificado pelas imagens utilizadas na publicação. Na avaliação do tribunal, a divulgação do conteúdo não se limitou a um questionamento sobre a interpretação da lei.
O desembargador Rogério Cimino afirmou que o influenciador não teve “responsabilidade mínima” ao apresentar o caso ao público. Segundo a decisão, o vídeo foi divulgado em tom de denúncia pública e sugeriu que a empresa teria cometido uma irregularidade diante de uma audiência de milhões de pessoas.
A indenização foi fixada em R$ 30 mil e será dividida igualmente entre a imobiliária e o proprietário. O TJ-SP rejeitou, por outro lado, o pedido de retratação pública e a solicitação para impedir futuras manifestações genéricas do influenciador sobre o assunto.
Quem é o “Menino da Lei”
Gabriel Piccolo, que completa 26 anos em 27 de julho, ganhou projeção nas redes sociais com vídeos sobre legislação. Ele utiliza o nome “Menino da Lei” em seus perfis e aborda temas relacionados às áreas criminal, civil e trabalhista, entre outras.
O influenciador também produz conteúdos a partir de casos que repercutem na internet e costuma explicar artigos e trechos de leis federais, estaduais e municipais. Apesar de atuar nas redes sociais com conteúdo voltado ao Direito, Piccolo já afirmou a seguidores que não possui formação superior na área.
Antes de ganhar notoriedade na internet, ele trabalhou como vendedor em duas lojas de móveis de Praia Grande por mais de dois anos. Também atuou como consultor de vendas em uma empresa de eletrônicos por cerca de cinco meses.
Leia também

Motorista embriagado atropela ciclista, que morre após carro pegar fogo em Praia Grande

Alvo de operação contra o PCC morre após confronto com a PM em São Vicente

Deixemos para amanhã o que não deveríamos dizer hoje

Receita Federal apreende 815 kg de cocaína no Porto de Santos

Serviço de balsas entre Bertioga e Guarujá suspenso temporariamente nesta terça-feira (22)

Três PMs irão a júri por tiros contra motoboy durante Operação Escudo em Santos

Santos entra na rota do Remo de Praia olímpico com etapa nacional na Praia do Gonzaga

Motorista embriagado atropela ciclista, que morre após carro pegar fogo em Praia Grande

Homem morre após ser agredido e bater a cabeça durante briga em Itanhaém

Doceria de Santos cresce, reforma o espaço e amplia cardápio após Neymar virar cliente frequente