Marcelly Peretto, acusada de envolvimento na morte do irmão, afirma ter sido ameaçada pelo ex-marido e pede uma oportunidade para recomeçar

Redação Publicado em 07/10/2026, às 16h43
Marcelly Peretto, acusada de participar do assassinato de seu irmão Igor, enviou uma carta ao juiz negando envolvimento e alegando ter deixado o apartamento por medo de seu então marido, Mário Vitorino, que teria cometido o crime após Igor descobrir seu relacionamento com a esposa dele.
O crime ocorreu em 31 de agosto de 2024, e a acusação do Ministério Público sustenta que Marcelly, Mário e Rafaela Costa da Silva planejaram a morte de Igor, visto que ele era um obstáculo para o relacionamento entre Mário e Rafaela.
Os três acusados enfrentarão julgamento no Tribunal do Júri, com o de Marcelly agendado para 26 de novembro, enquanto a defesa e o Tribunal de Justiça ainda não se pronunciaram sobre as alegações feitas na carta.
Marcelly Peretto, de 23 anos, acusada de participação no assassinato do irmão, o comerciante Igor Peretto, enviou uma carta escrita à mão ao juiz responsável pelo caso em Praia Grande, no litoral de São Paulo. No documento, ela nega ter participado da morte e afirma que deixou o apartamento acompanhando o então marido, Mário Vitorino, porque temia ser morta por ele.
O crime ocorreu em 31 de agosto de 2024, no apartamento de Marcelly. Igor foi morto a facadas após, segundo a investigação, descobrir um relacionamento entre sua esposa, Rafaela Costa da Silva, e Mário, então marido de Marcelly.
Na carta, Marcelly sustenta que chegou ao quarto e encontrou o irmão já sem vida. Segundo seu relato, ela entrou em estado de choque e pediu ajuda. A acusada afirma ainda que Mário estava alterado e que teria sofrido ameaças e pressão psicológica para deixar o local com ele.
Marcelly também descreveu ao juiz o relacionamento que manteve com Mário. Ela afirmou que o conheceu aos 14 anos e se casou aos 17, após ser emancipada pelos pais. Segundo ela, durante os oito anos de casamento, passou a depender emocionalmente do ex-marido e obedecia às decisões tomadas por ele.
Na correspondência, Marcelly também relata as dificuldades enfrentadas desde a prisão. Ela afirma ter bom comportamento, ter realizado cursos e resenhas de livros e estar trabalhando dentro da unidade prisional desde novembro de 2025. Ao final, pede ao juiz uma oportunidade para reconstruir a vida e afirma ter o sonho de trabalhar como aeromoça.
A acusada também fez críticas ao irmão Tiago Peretto, vereador de São Vicente. Na carta, Marcelly afirma que ele teria utilizado a repercussão do assassinato para ganhar visibilidade política. Tiago, por sua vez, negou a acusação e afirmou que passou a responsabilizar a irmã depois de ter acesso às imagens das câmeras de segurança relacionadas ao crime.
Segundo o vereador, inicialmente a família acreditava na versão de Marcelly de que ela teria sido sequestrada por Mário. Ele afirmou ao g1 que mudou de posição após analisar as imagens e passou a defender a responsabilização da irmã pelo assassinato.
Julgamento
O Ministério Público de São Paulo sustenta que Marcelly, Mário Vitorino e Rafaela Costa da Silva participaram de um plano para matar Igor. De acordo com a acusação, o comerciante era considerado um obstáculo para a continuidade do relacionamento entre Rafaela e Mário.
A Justiça determinou que os três acusados sejam submetidos ao Tribunal do Júri. Marcelly responde por homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e meio cruel, e o julgamento dela está marcado para 26 de novembro.
Igor foi encontrado morto dentro do apartamento após ser atingido por golpes de faca. Um laudo necroscópico apontou a gravidade dos ferimentos e indicou que, caso tivesse sobrevivido, ele poderia ter ficado tetraplégico.
As duas mulheres foram presas em 6 de setembro de 2024. Mário foi localizado posteriormente, em 15 de setembro, escondido na casa de um tio de Rafaela, em Torrinha, no interior paulista.
A defesa de Marcelly e o Tribunal de Justiça de São Paulo foram procurados para comentar a carta e as acusações, mas não haviam respondido até a última atualização da reportagem.
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