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José Dirceu cobra nova rodovia para o porto e critica juros altos na economia nacional

Ex-ministro criticou a atual taxa de juros e revelou articulações para lançar Fernando Haddad ao governo de São Paulo em 2026

Em entrevista, ex-ministro critica a taxa Selic de 15% e defende a reindustrialização do Brasil para impulsionar o crescimento econômico - Foto: Rádio CBN Santos
Em entrevista, ex-ministro critica a taxa Selic de 15% e defende a reindustrialização do Brasil para impulsionar o crescimento econômico - Foto: Rádio CBN Santos

Gabriel Nubile Publicado em 06/03/2026, às 13h10


Projetos de infraestrutura para a Baixada Santista, críticas à atual política de juros e as articulações partidárias para as eleições de 2026 pautaram a agenda do ex-ministro José Dirceu durante passagem pelo litoral paulista. O político defendeu a retomada da capacidade industrial do país e confirmou que pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados no próximo pleito.

Em entrevista à Rádio CBN Santos, Dirceu detalhou a participação do governo federal em obras estruturais na região. Ele ressaltou a importância da execução do túnel submerso ligando Santos e Guarujá e apontou a urgência de se projetar uma nova rodovia de acesso ao Planalto. O ex-ministro avalia que o atual estrangulamento do Sistema Anchieta-Imigrantes prejudica diretamente a logística do Porto de Santos, exigindo soluções em conjunto com o Estado.

Na área econômica, o foco principal das críticas foi o patamar da taxa Selic, fixada em 15% ao ano. Dirceu argumentou que os juros elevados sufocam a capacidade de consumo da população, encarecem o crédito para os empresários e travam o crescimento nacional. Paralelamente, ele destacou a situação de esvaziamento do Polo Petroquímico de Cubatão, reforçando que o Brasil precisa voltar a investir na indústria química e na agregação de valor, diretrizes que integram o programa Nova Indústria Brasil.

Tem que baixar o juro, tem que baixar o juro para o Brasil. O Brasil precisa crescer 5%, 6% nos próximos 10 anos e precisa se reindustrializar, precisa agregar valor e precisa fazer uma revolução tecnológica, a infraestrutura."

O cenário da segurança pública e as operações recentes da Polícia Federal também entraram na pauta. Ao comentar sobre investigações que atingem o sistema financeiro, como o caso do Banco Master, o ex-ministro defendeu apurações rigorosas, focadas em inteligência e rastreamento de capital ilícito. Contudo, fez ressalvas ao vazamento de dados judiciais sigilosos em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPMIs), argumentando que as falhas revelam a necessidade de uma reforma ampla nos órgãos de fiscalização, evitando a espetacularização política das investigações.

No âmbito eleitoral, o desfecho da entrevista abordou as movimentações para o governo de São Paulo. Além de sua própria pré-candidatura, o ex-ministro informou que o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é o nome articulado pela base governista para disputar o Palácio dos Bandeirantes. A estratégia prevê a formação de uma frente ampla de apoio, incluindo ministros e lideranças nacionais, com o objetivo de buscar maior inserção no interior do estado frente às candidaturas ligadas à atual gestão estadual.

E realmente o ministro Fernando Haddad está para aceitar o convite, praticamente um apelo que todos nós paulistas e paulistanos aqui estamos fazendo a ele, não só do PT, mas de amplos setores sociais, inclusive da centro-esquerda, mesmo da centro-direita."

Acompanhe a entrevista na íntegra: