Justiça

Justiça arquiva inquérito sobre morte de Ryan, mas Ministério Público abre nova investigação criminal

Ministério Público instaurou procedimento para reunir novas provas e reavaliar circunstâncias da morte do menino de 4 anos durante ação policial no Morro São Bento, em Santos

Ryan da Silva Andrade tinha 4 anos quando foi atingido durante uma ação policial no Morro São Bento, em Santos; mesmo após o arquivamento do inquérito, o caso continuará sendo analisado pelo Ministério Público de São Paulo - Imagem: Redes sociais e Arquivo Pessoal
Ryan da Silva Andrade tinha 4 anos quando foi atingido durante uma ação policial no Morro São Bento, em Santos; mesmo após o arquivamento do inquérito, o caso continuará sendo analisado pelo Ministério Público de São Paulo - Imagem: Redes sociais e Arquivo Pessoal

Redação Publicado em 03/06/2026, às 16h13


A morte do menino Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, durante uma operação da Polícia Militar em Santos, será investigada pelo Ministério Público de São Paulo, apesar do arquivamento do inquérito pela Justiça, que não encontrou elementos para responsabilizar os policiais envolvidos.

O incidente ocorreu em 2024, quando Ryan foi atingido por um disparo durante uma troca de tiros entre a polícia e suspeitos; a investigação da Polícia Civil concluiu que o disparo foi acidental e que os policiais agiram em legítima defesa.

O Ministério Público instaurou um Procedimento Investigatório Criminal para aprofundar a análise do caso, buscando esclarecer divergências nas conclusões anteriores e podendo, ao final, apresentar uma denúncia ou arquivar o caso definitivamente.

A morte de Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, continuará sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), mesmo após a Justiça determinar o arquivamento do inquérito conduzido pela Polícia Civil. A decisão judicial acompanha a conclusão da Delegacia de Homicídios, que entendeu não haver elementos para responsabilização criminal dos policiais militares envolvidos na ocorrência registrada em Santos, em 2024.

O caso ganhou repercussão após o menino ser atingido por um disparo durante uma operação da Polícia Militar no Morro São Bento. Na ocasião, segundo informações oficiais, equipes policiais perseguiam dois adolescentes em uma motocicleta quando houve troca de tiros. Um dos suspeitos morreu no local e o outro ficou ferido. Ryan, que brincava em uma área próxima, foi baleado e não resistiu aos ferimentos.

Embora o inquérito policial tenha sido encerrado, o Ministério Público optou por aprofundar a análise dos fatos. Para isso, instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC), instrumento que permite ao órgão conduzir diligências próprias, requisitar documentos, ouvir testemunhas e determinar novas medidas investigativas.

A iniciativa foi adotada após a Promotoria entender que ainda existem aspectos da ocorrência que merecem esclarecimentos adicionais. Entre os pontos analisados está a divergência entre conclusões apresentadas em diferentes procedimentos apuratórios relacionados ao caso.

De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Civil, o disparo que atingiu Ryan partiu da arma de um policial militar que participava da operação. O relatório final sustentou que o agente agiu em legítima defesa durante o confronto e concluiu que não houve conduta passível de responsabilização criminal.

A apuração também se baseou em laudos periciais produzidos pela Polícia Técnico-Científica. Segundo os documentos, o projétil apresentava deformações compatíveis com ricocheteamento antes de atingir a vítima. A análise indicou ainda que a bala chegou ao corpo da criança com redução de energia, circunstância considerada relevante para a conclusão dos investigadores.

Para a Polícia Civil, as evidências reunidas demonstrariam que o resultado não poderia ser previsto pelos agentes envolvidos na troca de tiros. Com esse entendimento, o inquérito foi encaminhado à Justiça sem pedido de indiciamento dos policiais.

Outro elemento considerado durante as investigações foi a confirmação pericial de que também houve disparos efetuados pelos suspeitos envolvidos no confronto. Armas foram apreendidas no local, e exames balísticos apontaram compatibilidade entre os armamentos recolhidos e os vestígios encontrados na cena da ocorrência.

Apesar dessas conclusões, o Ministério Público decidiu não encerrar a análise do caso. Com a abertura do PIC, a Promotoria passa a conduzir diretamente a nova etapa investigativa, assumindo integralmente a coleta de provas complementares.

A defesa da família de Ryan contestou o arquivamento do inquérito policial e afirmou que continuará acompanhando o andamento das investigações conduzidas pelo MP-SP. Os representantes da família defendem que ainda há circunstâncias a serem esclarecidas sobre a dinâmica da ocorrência e a responsabilidade dos envolvidos.

Ao final do procedimento instaurado pelo Ministério Público, o órgão poderá apresentar denúncia à Justiça, solicitar novas diligências ou concluir pelo arquivamento definitivo do caso.