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Justiça bloqueia R$ 15 milhões e prende suspeito de liderar rede de furto e adulteração de minérios em Santos

Polícia Civil apreende 3.689 quilos de tungstênio e veículos durante operação contra organização criminosa em São Paulo

Operação W74 resultou na prisão de um homem e bloqueio de bens - Imagem: Reprodução
Operação W74 resultou na prisão de um homem e bloqueio de bens - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 06/03/2026, às 09h08


A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), a Operação “W74”, uma ação estratégica para desmantelar uma sofisticada organização criminosa que atuava no polo logístico de Santos.

O grupo é suspeito de furtar e adulterar cargas de minérios de alto valor agregado destinadas à exportação. A ofensiva resultou na prisão de um homem de 40 anos e no bloqueio judicial de aproximadamente R$ 15 milhões em bens e contas bancárias de envolvidos.

As investigações tiveram início após a detecção de uma fraude massiva em carregamentos de tungstênio e scheelita, avaliados em cerca de R$ 9,3 milhões. Segundo a Polícia Civil, a quadrilha operava de forma cirúrgica: os minérios eram retirados dos contêineres enquanto aguardavam o embarque nos terminais logísticos da Baixada Santista e substituídos por materiais de baixo valor comercial, como pó de ferro, para manter o peso original da carga e evitar suspeitas imediatas.

Tecnologia de lacres e rota internacional

O que mais chamou a atenção das autoridades foi o nível de especialização do grupo. Para ocultar o crime, os criminosos utilizavam lacres clonados com diferenças quase imperceptíveis em relação aos modelos originais das transportadoras e autoridades aduaneiras. Essa tática garantia que o contêiner seguisse viagem sem sinais aparentes de violação, fazendo com que a fraude só fosse descoberta semanas depois, quando a carga chegava ao seu destino final na Alemanha.

A operação desta quinta-feira mobilizou agentes para o cumprimento de um mandado de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em nove endereços distribuídos pelas cidades de São Paulo, Cotia e Suzano. Além da prisão, a Justiça autorizou a quebra de sigilo de dados de IPs e o bloqueio de ativos financeiros pertencentes a quatro pessoas físicas e cinco empresas que estariam sendo utilizadas para a lavagem de dinheiro do esquema.

Apreensões

Durante as buscas, os policiais obtiveram resultados significativos para a instrução do inquérito:

Apreensão de minério: foram localizados 3.689 quilos de tungstênio, possivelmente desviados de remessas anteriores.

Bens móveis: três automóveis foram apreendidos como parte do patrimônio suspeito da organização.

Provas digitais: diversas mídias eletrônicas foram recolhidas e passarão por perícia para identificar outros integrantes da rede e receptadores do material furtado.

O homem detido foi encaminhado à delegacia para os procedimentos de polícia judiciária e permanece à disposição da Justiça. A Operação “W74”, cujo nome faz referência ao símbolo químico do tungstênio ($W$) e seu número atômico ($74$), segue em andamento para apurar se houve a conivência de funcionários de terminais logísticos ou transportadoras no esquema de troca das cargas.