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Justiça dá ultimato de um mês para hospital resolver calor e sujeira na maternidade em Pariquera-Açu

Vistoria revela falhas graves na maternidade, levando o caso a ser julgado pela Justiça e pelo Ministério Público

Hospital admite sobrecarga e promete melhorias, incluindo novos aparelhos de ar-condicionado e reforma - Imagem: Reprodução
Hospital admite sobrecarga e promete melhorias, incluindo novos aparelhos de ar-condicionado e reforma - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 09/02/2026, às 09h45


Relatos de mães passando mal por falta de ar dentro dos quartos e denúncias sobre banheiros sem condições de uso acenderam o alerta vermelho na saúde pública do Vale do Ribeira. O que deveria ser um local de acolhimento se tornou motivo de preocupação após uma vistoria técnica revelar problemas graves na estrutura da maternidade do Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua, em Pariquera-Açu. A situação ficou tão crítica que o caso foi parar nos tribunais.

A inspeção, realizada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremesp) logo no início deste ano, em janeiro de 2025, serviu como base para uma ação dura do Ministério Público. Os fiscais encontraram um cenário complicado: falhas constantes nos aparelhos de ar-condicionado, móveis quebrados ou danificados e uma higiene que deixava muito a desejar, especialmente nas alas onde ficam as gestantes e os bebês recém-nascidos.

Prazo curto para arrumar a casa

Diante das evidências e do risco à saúde das pacientes e das crianças, a Justiça não esperou e agiu rápido. Foi concedida uma liminar que obriga o governo estadual e o Consórcio Intermunicipal de Saúde (Consaúde), que administra o local, a resolverem a bagunça em, no máximo, 30 dias. A decisão exige que o sistema de climatização volte a funcionar direito e que a limpeza e a segurança do prédio sejam garantidas imediatamente.

O relatório dos promotores destaca histórias assustadoras, como a de uma mulher que, logo após dar à luz, começou a passar mal porque o quarto não tinha ventilação nenhuma. Para o Ministério Público, manter a maternidade nessas condições viola a dignidade humana e coloca em perigo quem mais precisa de proteção naquele momento.

O lado do hospital

A direção do hospital reconhece que o momento é delicado, mas apresenta suas justificativas. Segundo a nota oficial, a unidade está sobrecarregada porque precisou absorver toda a demanda de partos da região após a interrupção do serviço na cidade vizinha de Registro. Com a casa cheia, fica mais difícil interditar quartos para fazer as obras necessárias, já que a reforma depende da liberação de leitos.

Mesmo assim, a administração garante que já começou a se mexer. Eles informaram que as obras estão rolando desde janeiro e que, no dia 4 de fevereiro, chegaram 20 novos aparelhos de ar-condicionado para aliviar o calor, além da manutenção nos antigos. A promessa para o futuro é ainda maior: a gestão afirma que, ao longo deste ano, toda a maternidade será transferida para um prédio novo e mais moderno, resolvendo de vez os problemas estruturais.