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Justiça de Santos aplica "Lei Antifacções" em investigação contra MC Ryan SP

Decisão da 5ª Vara Federal cita indícios de apoio a organizações "ultraviolentas" e apreensão de joia com imagem de narcotraficante

Polícia Federal aponta ligações de MC Ryan SP com facções criminosas, incluindo o PCC e o Comando Vermelho - Foto: Billboard
Polícia Federal aponta ligações de MC Ryan SP com facções criminosas, incluindo o PCC e o Comando Vermelho - Foto: Billboard

Redação Publicado em 07/05/2026, às 08h36


A Justiça Federal de Santos elevou o tom nas investigações da Operação Narco Fluxo, que envolvem o artista MC Ryan SP. Em decisão proferida nesta quarta-feira (6), o juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal, determinou a aplicação imediata da "Lei Antifacções" (Lei nº 15.358/2026), estabelecendo um regime processual mais rigoroso para o caso.

A mudança atende a um pedido da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF). As autoridades apresentaram indícios de que o grupo investigado presta apoio a organizações criminosas consideradas "ultraviolentas", como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Joia de ouro e apologia

Um dos pontos centrais que sustentam a decisão do magistrado foi a apreensão, na casa de MC Ryan SP, de um colar de ouro com uma gravura inusitada: a imagem de um "renomado narcotraficante internacional" (Pablo Escobar) sobreposta ao mapa do Estado de São Paulo.

Além do objeto, a investigação aponta Ryan como o suposto agenciador de MC Black da Penha (João Vitor da Costa Minervino). O músico foi detido recentemente em Fortaleza sob a acusação de fazer apologia ao Comando Vermelho em suas letras.

Conexões com lideranças do crime

A decisão judicial detalha vínculos que vão além da estética musical, citando mensagens e transferências bancárias que ligariam o grupo de Ryan a lideranças faccionadas, entre elas:

  • Maurício Silveira Zambaldi ("Dragão");
  • Sérgio Luiz de Freitas Filho ("Mijão"), apontado como um dos chefes do PCC e atualmente foragido.
  • O documento menciona ainda relações familiares dos investigados com Eduardo Magrini ("Diabo Loiro"), figura já conhecida em outras operações de combate ao crime organizado.

Estrutura financeira e empresarial

Segundo o MPF, o esquema utiliza uma estrutura "sofisticada" para ocultar bens e viabilizar operações ilícitas. A Polícia Federal identificou o uso de veículos com placas adulteradas e empresas de fachada para dar aparência de legalidade aos recursos movimentados pelo grupo.

Impacto da decisão

Com a incidência do novo Marco de Combate ao Crime Organizado, o processo passa a contar com ferramentas que garantem maior celeridade e organização, dada a complexidade dos crimes investigados. O juiz Roberto Lemos determinou que cópias da decisão sejam enviadas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), onde tramitam pedidos de habeas corpus relacionados ao caso.

O processo segue sob segredo de justiça, e a defesa de MC Ryan SP ainda não se manifestou publicamente sobre as novas determinações.