Justiça

Justiça mantém prisão de MC Ryan SP após novo pedido da PF em investigação bilionária

Decisão converte prisão temporária em preventiva após apontamento de novos indícios e risco de continuidade criminosa em esquema que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão

Giovana Roque, esposa de MC Ryan SP, deixa unidade prisional em São Paulo após decisão que manteve o cantor preso durante investigação conduzida pela Polícia Federal - Imagem: Edu Araujo/Agnews
Giovana Roque, esposa de MC Ryan SP, deixa unidade prisional em São Paulo após decisão que manteve o cantor preso durante investigação conduzida pela Polícia Federal - Imagem: Edu Araujo/Agnews

Redação Publicado em 23/04/2026, às 19h10


A Justiça Federal em São Paulo decidiu manter a prisão do cantor MC Ryan SP, convertendo sua detenção temporária em preventiva, com base em novos elementos que indicam a necessidade de preservar a ordem pública durante as investigações de uma organização criminosa com movimentações financeiras superiores a R$ 1,6 bilhão.

As investigações, que fazem parte da Operação Narco Fluxo, revelaram um esquema complexo de lavagem de dinheiro e atividades ilícitas, com o cantor sendo um dos principais beneficiários, utilizando estruturas empresariais para misturar receitas legais e ilegais.

Além de MC Ryan SP, dezenas de outros investigados também tiveram suas prisões convertidas em preventivas, enquanto a defesa questiona a decisão e planeja recorrer, com as investigações ainda em andamento e novas apreensões autorizadas pela Justiça.

A Justiça Federal em São Paulo determinou a manutenção da prisão do cantor MC Ryan SP após acolher um novo pedido da Polícia Federal para converter a detenção temporária em preventiva. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (23), mesmo após o Superior Tribunal de Justiça ter concedido habeas corpus aos investigados.

A medida foi baseada na avaliação de que há elementos recentes que indicam a necessidade de manter os suspeitos presos durante o andamento das investigações. Segundo a Polícia Federal, o caso envolve uma organização criminosa com atuação estruturada e alto volume financeiro, com movimentações que ultrapassariam R$ 1,6 bilhão.

A conversão da prisão ocorre em meio ao avanço da chamada Operação Narco Fluxo, que apura crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa, evasão de divisas e ligação com atividades ilícitas, incluindo apostas ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas.

De acordo com os investigadores, a prisão preventiva — que não possui prazo definido — se justifica pela necessidade de garantir a ordem pública e evitar possíveis interferências nas apurações. Entre os riscos apontados estão a destruição de provas, o alinhamento de versões entre os investigados e a continuidade das atividades ilícitas.

As investigações tiveram origem em operações anteriores e ganharam força após a análise de dados armazenados em nuvem, especialmente arquivos vinculados a operadores financeiros do grupo. Esse material permitiu identificar uma rede complexa de movimentações, envolvendo empresas de fachada, “laranjas”, uso de criptomoedas e remessas internacionais.

Segundo a Polícia Federal, o cantor é apontado como um dos principais beneficiários do esquema, atuando por meio de estruturas empresariais ligadas ao entretenimento para mesclar receitas legais com valores de origem ilícita. Os recursos, ainda conforme a apuração, teriam sido reinvestidos em bens de alto valor, como imóveis, veículos de luxo e joias.

A decisão judicial também atingiu outros investigados. Ao todo, dezenas de pessoas tiveram a prisão convertida em preventiva, enquanto três foram encaminhadas para prisão domiciliar. Entre os nomes citados na investigação está o influenciador Raphael Sousa Oliveira, apontado como responsável por estratégias de comunicação e divulgação relacionadas ao grupo.

As defesas dos investigados contestam a decisão. Advogados alegam ausência de fundamentação individualizada e questionam o momento do novo pedido de prisão, especialmente após a concessão de habeas corpus pelo STJ. Os representantes legais afirmam que irão recorrer às instâncias superiores.

Do lado de fora do Centro de Detenção Provisória, na Zona Leste da capital paulista, familiares acompanharam o desdobramento do caso. A influenciadora Giovana Roque, esposa do cantor, foi registrada deixando o local abalada após a confirmação de que ele permanecerá preso.

A investigação segue em andamento sob sigilo, com autorização judicial para novas apreensões de dispositivos eletrônicos e acesso a dados digitais. O caso é considerado um dos mais amplos já conduzidos recentemente pela Polícia Federal envolvendo o setor de entretenimento e influenciadores digitais.