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Justiça Restaurativa promove círculos de conversa em escola de Santos para combater a violência

Através de dinâmicas como círculos de paz, alunos aprendem a importância da comunicação assertiva e do respeito mútuo

Estudantes da escola Edson Arantes do Nascimento celebram o Dia Nacional de Combate ao Bullying com atividades de diálogo e empatia - Foto: Divulgação/ Prefeitura de Santos
Estudantes da escola Edson Arantes do Nascimento celebram o Dia Nacional de Combate ao Bullying com atividades de diálogo e empatia - Foto: Divulgação/ Prefeitura de Santos

Redação Publicado em 08/04/2026, às 09h32


A comemoração do Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, celebrado nesta terça-feira (7), teve um significado especial para os alunos da escola municipal Edson Arantes do Nascimento, no Gonzaga. Em vez das aulas tradicionais, um grupo de estudantes participou de uma manhã focada no diálogo e no respeito, através do programa de Justiça Restaurativa. A ideia central foi usar dinâmicas de "círculos de paz" para mostrar que a conversa e a empatia são as melhores ferramentas para resolver conflitos e evitar agressões no ambiente escolar.

Durante os encontros, que reuniram 18 jovens com idades entre 11 e 17 anos, os facilitadores usaram símbolos curiosos para prender a atenção da turma. Um deles foi uma pequena girafa de brinquedo, escolhida para representar a chamada comunicação assertiva. A explicação é simples: como a girafa tem um pescoço bem longo, ela consegue "ouvir melhor" quem está longe, e seu coração grande simboliza o respeito e a compaixão. O objetivo foi fazer os alunos do 6º ao 9º ano refletirem sobre como tratam os colegas no dia a dia.

Conexão e novos significados

Outro momento marcante foi a dinâmica do novelo de lã. Os estudantes iam passando o fio uns para os outros e, a cada movimento, precisavam dizer um desejo positivo. No final, o emaranhado de lã formou uma grande rede, simbolizando como todos na escola estão conectados. Palavras como "empatia", "prosperidade" e "saúde" surgiram espontaneamente. A pequena Beatriz, de apenas 11 anos, contou que adorou a experiência e que finalmente entendeu o significado real da palavra "humanidade", algo que ela ainda tinha dúvida.

O clima de amizade tomou conta da sala, e até quem era mais tímido acabou se soltando. Willian, de 14 anos, achou a atividade incrível porque todos puderam se expressar de forma amigável, sem medo de julgamentos. Já a estudante Luiza Helena, de 12 anos, destacou que foi uma oportunidade diferente de pensar sobre a própria vida. Para a direção da escola, esse tipo de conversa aberta é um desafio necessário, pois ajuda a construir uma relação de confiança entre alunos e professores, combatendo o bullying de forma humana.

Modelo 

Vale lembrar que esse trabalho não acontece por acaso. Santos possui uma lei municipal desde 2017 que transformou a Justiça Restaurativa em uma política pública oficial. Segundo a coordenação do programa, a cidade hoje é considerada uma referência no assunto. O foco é sempre tentar resolver os problemas por meio da mediação e da cultura de paz, deixando de lado aquele modelo que foca apenas em punir o erro. Com o apoio da segurança, saúde e do Judiciário, a rede busca criar um ambiente escolar muito mais acolhedor para os jovens.