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Justiça solta soldador que atacou seu ex-supervisor em Cubatão após júri mudar acusação

Ricardo da Silva é libertado após decisão do júri que alterou a gravidade da acusação contra ele

Tribunal do Júri suaviza acusação de tentativa de homicídio para lesão corporal leve - Imagem: Reprodução
Tribunal do Júri suaviza acusação de tentativa de homicídio para lesão corporal leve - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 27/03/2026, às 10h04


O Tribunal do Júri de Cubatão tomou uma decisão que mudou completamente o destino do soldador Ricardo da Silva nesta quinta-feira (26). Ele, que era acusado de tentar matar seu antigo supervisor, teve a acusação suavizada para lesão corporal leve. Com essa mudança no entendimento dos jurados, Ricardo foi condenado a apenas seis meses de detenção em regime aberto. Como a pena é baixa e ele tem o direito de recorrer em liberdade, a Justiça já mandou soltá-lo imediatamente do presídio de São Vicente.

O rolo todo começou na manhã de 9 de agosto de 2024, um dia depois de Ricardo ter sido demitido. Segundo o que foi dito no processo, o supervisor decidiu pelo corte do funcionário porque ele estaria desrespeitando a hierarquia no trabalho.

Inconformado, Ricardo teria armado uma emboscada: enquanto o ex-chefe saía de um alojamento para trabalhar na Refinaria Presidente Bernardes, um homem encapuzado apareceu atirando e dando coronhadas no rosto da vítima, gritando que ia matá-la.

Fuga

A situação só não foi pior porque a arma do agressor falhou duas vezes na hora da fuga. Testemunhas contaram que o homem armado correu para um Fiat Toro branco, onde Ricardo estava ao volante dando cobertura e gritando para o comparsa atirar mais vezes.

Pouco tempo depois do ataque, a polícia acabou encontrando o soldador por causa de um acidente de trânsito sem vítimas envolvendo o mesmo carro branco. Ele foi levado para a delegacia e reconhecido na hora pela vítima e pelos colegas que presenciaram a cena.

Mesmo com o reconhecimento e os indícios apontados pela polícia na época, o conselho de sentença do júri entendeu que não houve uma intenção real de tirar a vida do supervisor. Por conta disso, o crime deixou de ser considerado tentativa de homicídio.

Agora, para continuar em liberdade, Ricardo terá que seguir algumas regras impostas pelo juiz durante os próximos dois anos. Se ele se comportar direitinho e não descumprir as ordens judiciais, a pena será considerada encerrada ao final desse prazo.

Defesa

O advogado de defesa, João Carlos de Jesus Nogueira, considerou a decisão uma vitória, já que conseguiu afastar a acusação mais grave que pesava sobre o soldador. Segundo a defesa, Ricardo sempre disse que era inocente da acusação de tentativa de homicídio, e o resultado do júri confirmou a tese de que o caso não passou de uma lesão corporal. Com o alvará de soltura em mãos, a expectativa é que ele deixe o Centro de Detenção Provisória (CDP) ainda nesta sexta-feira (27).

O caso chamou muita atenção em Cubatão na época por envolver funcionários que prestavam serviço para a Petrobras e pelo motivo fútil da agressão. Apesar da condenação ser bem menor do que o esperado inicialmente pelo Ministério Público, a sentença encerra uma etapa importante do processo, garantindo que o réu responda apenas pelo que os jurados consideraram provado durante as sessões de julgamento no fórum da cidade.