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Justiça suspende greve em Registro, mas sindicato mantém mobilização por aumento real

Decisão judicial aponta falta de garantias para serviços essenciais; prefeitura diz que adesão é de apenas 10%

Servidores expressam indignação com a gestão do prefeito Samuel Moreira e denunciam tentativas de substituição durante a greve - Foto: Arquivo Pessoal
Servidores expressam indignação com a gestão do prefeito Samuel Moreira e denunciam tentativas de substituição durante a greve - Foto: Arquivo Pessoal

Redação Publicado em 09/04/2026, às 10h43


A queda de braço entre a Prefeitura de Registro e o funcionalismo público ganhou novos capítulos nesta semana. De um lado, o Executivo obteve uma vitória judicial que determina a suspensão da greve; do outro, servidores relatam indignação com a falta de diálogo direto com o prefeito Samuel Moreira e denunciam manobras para substituir trabalhadores paralisados.

Decisão judicial e os números da prefeitura

A Justiça concedeu uma liminar favorável à Prefeitura, ordenando o fim da paralisação organizada pelo Sindicato dos Servidores Municipais. O argumento aceito pelo Judiciário é de que o movimento não apresentou as garantias legais para manter o funcionamento dos serviços essenciais.

Segundo o levantamento oficial do Executivo:

  • Adesão: Apenas 10% do quadro de servidores estaria em greve.
  • Funcionamento: A prefeitura afirma que a Saúde opera com 99%, a Assistência Social com 91% e a Educação com 81% de sua capacidade.
  • Medidas: Estão sendo realizados remanejamentos de equipes e escalas para evitar que a população fique sem atendimento.

O Lado dos Servidores: "Salário Vergonhoso"

Em entrevista à rádio CBN, a diretora de políticas sociais do sindicato e servidora, Daiane Azevedo, apresentou uma versão bem diferente. Segundo ela, a greve, iniciada em 30 de março, foca na valorização das categorias com menores salários, como merendeiras, auxiliares e cuidadoras (ADIs).

Principais reivindicações:

  • Aumento Real: Os servidores rejeitam o reajuste de 4,4% concedido, alegando que ele mal cobre a inflação.
  • Retroativo do Descongela: Negociação sobre valores represados durante o período de congelamento salarial.
  • Diálogo Direto: A categoria reclama que o prefeito Samuel Moreira não recebe a comissão de negociação, enviando apenas o chefe de gabinete e secretários que "não têm poder de canetada".

"O impacto maior está nas creches, porque as categorias que mais sofrem são as que estão na luta. Queremos ser ouvidos, mas o prefeito montou um escritório na Secretaria de Educação para não ter que enfrentar o movimento em frente ao Paço Municipal", afirmou Daiane.

Denúncia de terceirização irregular

Um dos pontos de maior tensão relatados pelo sindicato foi a tentativa da prefeitura de contratar uma empresa terceirizada, por cerca de R$ 1,9 milhão, para substituir merendeiras e cuidadoras em greve.

De acordo com a representante dos servidores, o Ministério Público foi acionado e o contrato precisou ser cancelado na última segunda-feira por ser considerado ilegal, uma vez que visava substituir trabalhadores em meio a um movimento reivindicatório. "Ele diz que não tem dinheiro para o aumento, mas apareceu quase R$ 2 milhões para terceirizar o serviço", criticou a servidora.

Cenário atual

Enquanto a Prefeitura reforça que o diálogo segue aberto via Secretarias de Governo e Administração, os servidores mantêm a mobilização em frente ao Paço Municipal, aguardando uma proposta que vá além da ordem de cessar a greve. O magistério (professores), por sua vez, aguarda uma análise salarial específica prometida para o dia 13 de abril.