Liquidação de estoques

Leilão da Casas Bahia termina nesta quinta-feira e reúne eletrônicos e eletrodomésticos

Oferta inclui notebooks, celulares, geladeiras, máquinas de lavar e fogões provenientes de unidades encerradas; especialistas recomendam atenção a sites falsos, taxas e formas de pagamento

Unidade da Casas Bahia fechada em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Produtos provenientes de lojas encerradas integram leilão que termina nesta quinta-feira (20) - Imagem: Sarah Brito/g1
Unidade da Casas Bahia fechada em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Produtos provenientes de lojas encerradas integram leilão que termina nesta quinta-feira (20) - Imagem: Sarah Brito/g1

Redação Publicado em 20/08/2026, às 15h05


Um leilão de produtos da Casas Bahia, que inclui eletrônicos e eletrodomésticos de unidades fechadas, ocorre em meio ao processo de recuperação judicial da empresa, gerando preocupação com fraudes online entre os consumidores.

Os itens à venda despertaram interesse, especialmente por produtos de maior valor, mas especialistas alertam sobre custos adicionais e a necessidade de verificar a condição dos produtos antes da compra.

A empresa continua suas operações normalmente, enquanto especialistas em segurança recomendam cuidados ao realizar pagamentos e a leitura atenta do edital do leilão, que encerra nesta quinta-feira (20).

Um leilão de produtos da Casas Bahia termina nesta quinta-feira (20) com lotes de eletrônicos e eletrodomésticos provenientes de unidades encerradas pela varejista. A venda é realizada pela plataforma Kwara e inclui notebooks, smartphones, refrigeradores, máquinas de lavar e fogões. A iniciativa ocorre em meio ao processo de recuperação judicial da empresa e ganhou repercussão nas redes sociais, cenário que também levou especialistas em segurança digital a reforçar cuidados contra páginas falsas e fraudes envolvendo pagamentos.

Os produtos colocados à venda fazem parte de estoques vinculados a lojas fechadas pela companhia. Apesar do momento financeiro enfrentado pelo grupo, a Casas Bahia informou que suas atividades seguem normalmente tanto nas unidades físicas quanto no comércio eletrônico. Segundo a empresa, o atendimento aos consumidores continua sendo realizado nos canais regulares da varejista.

A oferta de produtos em leilão despertou interesse principalmente pelos itens de maior valor, como notebooks, celulares e eletrodomésticos de grande porte. No entanto, especialistas alertam que o preço inicial de um lote não deve ser considerado isoladamente antes da decisão de compra. Além do lance, o interessado precisa observar eventuais comissões, taxas administrativas, condições de conservação dos produtos e custos relacionados à retirada e ao transporte.

A repercussão do leilão nas redes sociais também exige atenção de consumidores diante da possibilidade de golpes que utilizam páginas semelhantes às de plataformas legítimas. A empresa de cibersegurança Kaspersky informou não ter identificado, até o momento, uma campanha fraudulenta específica relacionada a essa liquidação da Casas Bahia. A companhia, no entanto, afirma que a clonagem de sites de leilões é uma prática conhecida entre criminosos.

Nesse tipo de fraude, páginas falsas podem reproduzir identidade visual, anúncios e informações de plataformas reais com o objetivo de induzir o consumidor a realizar pagamentos para contas controladas pelos golpistas.

Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky, recomenda que os interessados confirmem a reputação da plataforma, verifiquem as informações referentes ao leiloeiro, analisem o edital e confiram cuidadosamente o destinatário antes de concluir qualquer transferência.

O Pix exige atenção especial porque a transferência ocorre de maneira imediata. Depois que o valor chega à conta utilizada no golpe, o dinheiro pode ser movimentado rapidamente para outros destinos, o que dificulta a tentativa de recuperação.

Uma das principais recomendações para quem pretende participar de um leilão é a leitura integral do edital. O documento reúne as regras da venda e deve informar, entre outros pontos, a situação dos produtos, as condições de pagamento, os custos adicionais, os prazos e o local para retirada.

Em leilões relacionados à desativação de unidades ou logística reversa, os itens podem ser comercializados no estado em que se encontram. Isso significa que determinados produtos podem apresentar marcas de uso, avarias, peças ausentes ou problemas que não são identificados imediatamente.

Por isso, o valor reduzido de um lote não significa necessariamente que a compra terá custo menor do que o praticado no mercado convencional. O consumidor também deve calcular quanto efetivamente pagará depois da arrematação.

Além do valor oferecido no lance, pode ser cobrada comissão do leiloeiro, frequentemente calculada como percentual sobre o preço do lote. No caso citado nas orientações sobre o leilão, esse custo pode chegar a 5%, além de outras eventuais taxas previstas pela plataforma. Esses valores precisam ser considerados antes da oferta para que o interessado consiga comparar o custo final com o preço do mesmo produto em outros canais de venda.

Outro ponto relevante é a retirada da mercadoria. Diferentemente de uma compra tradicional pela internet, produtos adquiridos em leilões nem sempre são enviados ao endereço do comprador. Dependendo das regras estabelecidas, cabe ao arrematante providenciar desmontagem, embalagem e transporte a partir do endereço informado pela organização. O edital também pode prever datas específicas para retirada e penalidades caso o prazo não seja cumprido.

Como verificar se o leilão é legítimo

Antes de realizar qualquer pagamento, especialistas recomendam pesquisar o histórico da plataforma e buscar registros de reclamações ou denúncias de fraude. Também é possível verificar se o leiloeiro responsável está regularmente registrado na Junta Comercial do estado onde exerce a atividade. Informações como nome e matrícula profissional podem ser consultadas nos canais oficiais desses órgãos.

No momento do pagamento, o destinatário deve corresponder às informações apresentadas oficialmente pela organizadora ou pelo leiloeiro responsável. Transferências para contas de terceiros ou para CPFs sem relação identificável com o processo devem ser tratadas como sinal de alerta.

O consumidor também deve desconfiar de contatos feitos fora dos canais informados no edital, principalmente quando houver pressão para pagamento imediato ou solicitação de transferência para uma conta diferente da apresentada originalmente.

Leilão ocorre durante recuperação judicial

A realização do leilão acontece no mesmo período em que a Casas Bahia enfrenta dificuldades financeiras e apresentou pedido de recuperação judicial. Apesar da reorganização financeira, a varejista afirma que mantém suas operações regulares e que o funcionamento das lojas físicas e do comércio eletrônico não foi interrompido.

O encerramento do leilão está previsto para esta quinta-feira (20). Antes de participar, interessados devem consultar diretamente as condições oficiais da venda e verificar todas as regras referentes a cada lote.