Saúde

Médica de Santos transforma experiência com esclerose múltipla em apoio a pacientes

Carolina Miranda Aranha recebeu o diagnóstico após passar mal durante vestibular de Medicina e hoje utiliza a própria vivência para reconhecer possíveis sintomas da doença durante os atendimentos

A médica generalista Carolina Miranda Aranha descobriu a esclerose múltipla após apresentar sintomas durante um vestibular de Medicina e atualmente trabalha em Santos - Imagem: Arquivo Pessoal e Gabriel Cardim
A médica generalista Carolina Miranda Aranha descobriu a esclerose múltipla após apresentar sintomas durante um vestibular de Medicina e atualmente trabalha em Santos - Imagem: Arquivo Pessoal e Gabriel Cardim

Redação Publicado em 19/08/2026, às 15h39


A médica Carolina Miranda Aranha foi diagnosticada com esclerose múltipla durante o vestibular da Unicamp em 2015, o que gerou incertezas sobre sua carreira, mas não a impediu de concluir a graduação em Medicina e atuar na área.

A esclerose múltipla, uma doença autoimune que afeta o sistema nervoso central, é mais comum em mulheres jovens e pode causar sintomas variados, como alterações motoras e visuais, que Carolina aprendeu a reconhecer em sua prática médica.

Após o diagnóstico, Carolina adotou um tratamento que inclui medicamentos e mudanças de hábitos, e agora compartilha sua experiência para aumentar a conscientização sobre a doença, enfatizando a importância do diagnóstico precoce para a qualidade de vida dos pacientes.

A médica generalista Carolina Miranda Aranha descobriu a esclerose múltipla após apresentar sintomas neurológicos durante o vestibular de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em novembro de 2015. Na ocasião, ela sentiu um forte formigamento em uma das mãos e teve a visão prejudicada, o que a levou a interromper a prova e procurar atendimento médico. Após passar por consultas e exames, recebeu a confirmação do diagnóstico no início de 2016.

A descoberta ocorreu justamente quando Carolina tentava ingressar na carreira que havia escolhido ainda na adolescência. O diagnóstico trouxe dúvidas sobre a possibilidade de seguir a formação médica e também fez com que ela precisasse lidar com comentários de pessoas que consideravam incompatível conciliar a doença com as exigências do curso.

Apesar das dificuldades, Carolina manteve o objetivo de se tornar médica. Com o apoio da família, do neurologista que a acompanhava e da instituição de ensino, concluiu a graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (Unimes). Atualmente, trabalha como médica generalista em Santos, no litoral de São Paulo.

Os primeiros sinais da doença apareceram durante a segunda fase do vestibular da Unicamp. Carolina contou que precisou deixar a prova depois de perceber alterações no corpo e na visão. Naquele momento, ela não tinha conhecimento suficiente sobre a esclerose múltipla para relacionar os sintomas à doença. A investigação médica começou após o episódio e incluiu acompanhamento neurológico e exames até a confirmação do diagnóstico.

O diagnóstico modificou a rotina da estudante, mas não interrompeu o projeto de cursar Medicina. Segundo Carolina, durante esse período ouviu de diferentes pessoas que não conseguiria concluir a graduação por causa da condição de saúde. O apoio recebido da família e de profissionais que acompanharam o caso foi decisivo para que ela continuasse os estudos.

Depois do diagnóstico, Carolina passou a seguir tratamento e a adaptar alguns hábitos da rotina. Entre as medidas adotadas estão a suplementação de vitamina D, o uso de medicamento imunobiológico por infusão hospitalar e a prática de atividades físicas.

A médica também precisou considerar os efeitos que as altas temperaturas podem provocar em pessoas com esclerose múltipla. O calor pode intensificar temporariamente alguns sintomas da doença. Mesmo vivendo em Santos, Carolina afirma que conseguiu adaptar sua rotina para evitar os períodos de maior temperatura.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central. Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem), o sistema imunológico passa a atacar estruturas do cérebro e da medula espinhal, provocando lesões.

A doença é mais frequentemente diagnosticada entre pessoas de 20 a 40 anos e apresenta maior incidência entre mulheres. Os sintomas variam conforme a área do sistema nervoso atingida e podem incluir alterações motoras, visuais e de sensibilidade.

A experiência com a doença também passou a fazer parte da prática médica de Carolina. Durante os atendimentos como generalista, ela afirma que consegue reconhecer com maior facilidade alguns sintomas que podem estar relacionados à esclerose múltipla.

Segundo a médica, já houve casos em que pacientes apresentaram manifestações que levantaram a possibilidade da doença. Nessas situações, ela realizou o encaminhamento para avaliação neurológica. Alguns dos pacientes, conforme relatado por Carolina, posteriormente receberam o diagnóstico.

Para ela, a experiência de ter passado pelo processo de investigação médica contribuiu para uma atenção maior às queixas dos pacientes. “Até porque eu sou uma grande paciente”, afirmou Carolina ao explicar a influência da própria trajetória na relação com as pessoas atendidas.

A médica decidiu também falar publicamente sobre a própria experiência para contribuir com a conscientização sobre a esclerose múltipla. A iniciativa ganhou força depois que uma paciente diagnosticada com a doença a incentivou a compartilhar sua história. O objetivo, segundo Carolina, é ampliar o conhecimento sobre os sinais da doença e estimular a busca por avaliação médica diante de sintomas que possam indicar alterações neurológicas.

A médica destaca ainda a importância de identificar a doença o quanto antes. O diagnóstico permite que o paciente seja acompanhado e receba tratamento adequado para seu quadro, com o objetivo de controlar a atividade da doença e preservar a qualidade de vida.

Para Carolina, a trajetória entre o diagnóstico e a formação médica também mudou sua percepção sobre a relação entre doença crônica e projetos pessoais. A esclerose múltipla passou a fazer parte de sua rotina, mas não impediu a conclusão da graduação nem o exercício da profissão escolhida desde a adolescência.