Justiça

Médico é condenado a 20 anos por participação na execução de paciente em hospital de Guarujá

Júri também condenou outros dois réus pelo assassinato de Gilianderson dos Santos, morto a tiros dentro do Hospital Santo Amaro em abril de 2022

Médico Alexandre Pedroso Ribeiro foi condenado a 20 anos e cinco meses de prisão por participação na execução de Gilianderson dos Santos dentro do Hospital Santo Amaro, em Guarujá, em abril de 2022 - Imagem: Reprodução
Médico Alexandre Pedroso Ribeiro foi condenado a 20 anos e cinco meses de prisão por participação na execução de Gilianderson dos Santos dentro do Hospital Santo Amaro, em Guarujá, em abril de 2022 - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 11/09/2026, às 16h56


O médico ortopedista Alexandre Pedroso Ribeiro foi condenado a 20 anos e cinco meses de prisão por sua participação no assassinato de Gilianderson dos Santos, ocorrido dentro do Hospital Santo Amaro em Guarujá, em abril de 2022, junto com outros dois réus que também receberam penas superiores a 20 anos.

Os três foram considerados culpados por homicídio qualificado e organização criminosa, com Alexandre acusado de facilitar a execução ao antecipar a alta da vítima e repassar informações sobre sua localização a membros do grupo criminoso.

As defesas dos condenados, incluindo a de Alexandre que planeja recorrer da decisão, ainda não se manifestaram, enquanto a Polícia Civil investiga a relação do crime com um 'tribunal do crime' do Primeiro Comando da Capital, embora a suposta vítima do crime sexual que motivou a execução nunca tenha sido encontrada.

O médico ortopedista Alexandre Pedroso Ribeiro foi condenado a 20 anos e cinco meses de prisão por participação no assassinato de Gilianderson dos Santos, executado a tiros dentro do Hospital Santo Amaro, em Guarujá, em abril de 2022. Outros dois homens também receberam penas superiores a 20 anos pelo crime. O julgamento ocorreu entre quarta-feira (9) e quinta-feira (10), no Fórum de Guarujá.

Os três réus foram condenados por homicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de organização criminosa. Alexandre cumprirá a pena inicialmente em regime fechado e também foi condenado ao pagamento de 16 dias-multa.

Sandro Vieira Conceição, conhecido como “Patinho” e apontado pela investigação como autor dos disparos, recebeu pena de 22 anos, quatro meses e 24 dias de prisão. Vitor Hugo Assunção, chamado de “Pikachu”, que teria conduzido a motocicleta usada na ação e auxiliado na fuga, foi condenado a 23 anos e 14 dias. Ambos também deverão cumprir as penas inicialmente em regime fechado e pagar 16 dias-multa.

Segundo o delegado Thiago Bonametti, responsável pela investigação, a pena de Vitor foi maior porque ele teria tentado fugir da prisão e ameaçado policiais durante o processo de captura. O crime ocorreu quando Gilianderson ainda se recuperava de um atentado sofrido dias antes. Baleado na primeira ocorrência, ele foi levado ao Hospital Santo Amaro e permanecia em uma cadeira de rodas quando dois homens usando capacetes entraram na unidade e efetuaram os disparos. Câmeras de segurança registraram a execução.

De acordo com a investigação da Polícia Civil, Alexandre Pedroso estava de plantão no setor de ortopedia e teria colaborado para que a vítima fosse levada até uma área de saída do hospital. A acusação sustentou que o médico adiantou a alta de Gilianderson e manteve contato com integrantes do grupo responsável pela execução, repassando informações sobre a localização do paciente.

A Polícia Civil apontou Sandro como o homem que efetuou os tiros e Vitor como o responsável por levá-lo de motocicleta até o hospital e auxiliá-lo na fuga após o crime. A investigação relacionou o assassinato a um chamado “tribunal do crime” atribuído ao Primeiro Comando da Capital. Segundo a apuração, Gilianderson teria sido condenado informalmente pela facção sob a acusação de ter cometido um estupro.

A própria Polícia Civil, entretanto, informou que nunca conseguiu localizar a suposta vítima do crime sexual e que essa acusação não foi confirmada pelas investigações. A execução no hospital teria sido uma tentativa do grupo de concluir uma ação iniciada no atentado anterior.

Alexandre Pedroso já havia sido condenado anteriormente por tráfico de drogas em outro processo. No caso do homicídio, a defesa do médico informou que pretende recorrer da sentença. A advogada Tatiana La Scala afirmou que considera a decisão dos jurados contrária às provas apresentadas no processo e que apresentará recurso de apelação.

Até a última atualização das informações divulgadas, as defesas de Sandro Vieira Conceição e Vitor Hugo Assunção não haviam sido localizadas para comentar as condenações.