Cidade, que já foi considerada a 'capital da Aids', agora se destaca por um programa eficaz de controle e prevenção do HIV em gestantes

Redação Publicado em 03/12/2025, às 10h36
Quem vive em Santos hoje talvez não saiba, mas o município já carregou um título pesado e preocupante nas décadas de 1980 e 1990: o de “capital da Aids”. Naquela época, a cidade liderava as estatísticas nacionais de casos da doença, impulsionada principalmente pelo cenário do porto, que era rota de tráfico, e pelo alto índice de compartilhamento de seringas entre usuários de drogas injetáveis. No entanto, essa realidade ficou no passado.
Nesta quarta-feira (03), uma cerimônia em Brasília marca a entrega oficial de um reconhecimento histórico para a cidade. O Ministério da Saúde concedeu a Santos a Certificação de Eliminação da Transmissão Vertical do HIV, que é quando o vírus passa da mãe para o filho durante a gestação ou parto. Essa conquista é resultado de décadas de trabalho intenso e da criação do primeiro programa municipal do país focado no enfrentamento da doença.
Para conceder o selo, o governo federal analisou os dados dos últimos três anos, entre 2022 e 2024. A análise técnica foi rigorosa, mas os números da cidade mostram um cenário de controle consolidado: o último registro de transmissão desse tipo no município aconteceu em 2017.
Monitoramento rigoroso das gestantes
Para alcançar esse patamar, a rede de saúde local precisou provar que segue protocolos rígidos. O acompanhamento começa assim que a gravidez é confirmada. Durante o pré-natal, a gestante passa por uma bateria de pelo menos seis exames específicos para detectar o vírus HIV.
A rotina inclui testes rápidos no início da gestação, exames laboratoriais no primeiro trimestre e repetições na 28ª semana. Na reta final, entre a 32ª e a 34ª semana, novos testes são feitos, além de uma checagem final na maternidade, pouco antes do parto.
Outro ponto fundamental nessa estratégia é o envolvimento dos parceiros. Desde 2023, a rede pública oferece um check-up completo para os companheiros das gestantes, incentivando a paternidade responsável e garantindo que o casal esteja saudável.
Cuidados após o nascimento
O protocolo de segurança continua mesmo se a mãe for diagnosticada com o vírus. Nesses casos, ela recebe toda a orientação necessária para evitar o contágio do bebê, incluindo a recomendação de não amamentar, já que o leite materno pode transmitir o HIV. Para garantir a nutrição da criança, o município fornece fórmula láctea gratuitamente.
Além disso, o recém-nascido recebe cuidados imediatos, com o uso de medicamentos antirretrovirais até o 28º dia de vida. Todo esse esforço foi verificado pessoalmente por uma equipe nacional do Ministério da Saúde, que esteve na cidade em setembro para validar os processos.
A entrega do certificado acontece justamente durante o “Dezembro Vermelho”, mês dedicado à conscientização sobre o HIV e a Aids, simbolizando uma vitória importante da saúde pública. Vale lembrar que ter o vírus HIV não é o mesmo que ter Aids, que é o estágio avançado da infecção quando não há tratamento.
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