Investigação

Ministério Público acusa vereador de São Vicente de participação em suposto esquema de repasse de salários de assessores

Ação por improbidade administrativa aponta desvio de recursos públicos e pede ressarcimento de R$ 285 mil; parlamentar nega irregularidades

Vereador de São Vicente é alvo de ação por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público, que apura supostos repasses de salários de assessores parlamentares - Imagem: Reprodução e TSE
Vereador de São Vicente é alvo de ação por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público, que apura supostos repasses de salários de assessores parlamentares - Imagem: Reprodução e TSE

Redação Publicado em 19/06/2026, às 17h05


O Ministério Público de São Paulo processou o vereador Thiago Alexandre da Silva por improbidade administrativa, acusando-o de participar de um esquema de devolução de salários de assessores durante sua presidência na Câmara Municipal entre 2021 e 2022.

A investigação começou após denúncias que incluíam registros de áudio e movimentações financeiras, revelando que assessores teriam transferido parte de seus salários ao vereador, totalizando R$ 285 mil em enriquecimento ilícito.

O juiz aceitou a ação, permitindo que o processo siga, e, se as acusações forem confirmadas, o vereador poderá enfrentar penalidades severas, enquanto ele nega as irregularidades e aguarda a tramitação do caso sob segredo de Justiça.

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) ajuizou uma ação de improbidade administrativa contra o vereador Thiago Alexandre da Silva (PSD), de São Vicente, sob a acusação de ter se beneficiado de um suposto esquema de devolução de parte dos salários pagos a assessores parlamentares. Segundo a Promotoria, a prática teria ocorrido entre os anos de 2021 e 2022, período em que o parlamentar ocupava a presidência da Câmara Municipal.

A ação também inclui outras cinco pessoas que, de acordo com o Ministério Público, teriam participado ou obtido vantagens relacionadas ao esquema investigado. O órgão pede que a Justiça determine o ressarcimento de R$ 285 mil aos cofres públicos, valor que, segundo a acusação, corresponde ao enriquecimento ilícito obtido a partir dos repasses.

As investigações tiveram início após o encaminhamento de representações à Promotoria de Justiça de São Vicente. Conforme o Ministério Público, os documentos recebidos continham registros de áudio, movimentações financeiras e outros elementos que indicariam a existência de um mecanismo de devolução de parte da remuneração de servidores lotados no gabinete do vereador.

Entre os materiais analisados pelos promotores está um documento que teria sido elaborado durante o período de pré-campanha eleitoral do parlamentar, em 2019. De acordo com a ação, o texto previa que um futuro ocupante de cargo comissionado realizasse transferências periódicas de parte de seus vencimentos ao então candidato.

Ainda segundo a Promotoria, a apuração identificou movimentações bancárias consideradas incompatíveis com a finalidade dos cargos ocupados. Um dos assessores investigados teria transferido aproximadamente R$ 54,5 mil a uma pessoa ligada ao parlamentar ao longo de dois anos. O valor representaria grande parte da remuneração recebida pelo servidor durante o período analisado.

Ao receber a ação, o juiz Leonardo de Mello Gonçalves, da Vara da Fazenda Pública de São Vicente, entendeu que os elementos apresentados pelo Ministério Público são suficientes para justificar o prosseguimento do processo. Conforme registrado na decisão, relatórios financeiros, extratos bancários e demais documentos reunidos durante a investigação constituem indícios que devem ser analisados ao longo da instrução processual.

Caso as acusações sejam confirmadas ao final do processo, o vereador poderá ser submetido às penalidades previstas na Lei de Improbidade Administrativa, incluindo ressarcimento ao erário, multa civil, perda da função pública e suspensão dos direitos políticos, conforme avaliação judicial.

Procurado para comentar as acusações, Thiago Alexandre da Silva afirmou que nunca praticou qualquer irregularidade e declarou confiar que sua inocência será demonstrada durante a tramitação do processo. O parlamentar informou ainda que o caso corre sob segredo de Justiça e, por esse motivo, não fará manifestações adicionais sobre o conteúdo da ação.

Em nota, o vereador também afirmou que ainda não havia sido formalmente citado para apresentar defesa e reiterou confiança na atuação do Poder Judiciário para o esclarecimento dos fatos.

O processo segue em tramitação na Justiça e ainda não há decisão definitiva sobre o mérito das acusações apresentadas pelo Ministério Público.