Famílias do Residencial Giovannina Sarane Galavoti continuam fora dos apartamentos desde fevereiro de 2024 e relatam preocupação após interrupção do custeio de aluguéis durante as obras de recuperação do edifício

Redação Publicado em 20/08/2026, às 15h37
Moradores do Residencial Giovannina Sarane Galavoti, em Praia Grande, enfrentam a possibilidade de perder suas moradias provisórias após a interrupção do pagamento de aluguéis, enquanto o prédio permanece interditado devido a problemas estruturais desde fevereiro de 2024.
O condomínio, que abriga 133 apartamentos, foi evacuado após a identificação de danos em pilares de sustentação, afetando cerca de 250 pessoas, que agora dependem de aluguéis pagos pela construtora responsável, mas enfrentam incertezas com a suspensão desse auxílio.
A construtora foi condenada a ressarcir o condomínio por despesas durante a interdição, mas a falta de um cronograma claro para a conclusão das obras e a continuidade da assistência habitacional geram preocupação entre os moradores, que temem despejos e buscam uma solução definitiva para retornar aos seus lares.
Moradores do Residencial Giovannina Sarane Galavoti, no bairro Aviação, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, afirmam temer a perda das moradias provisórias onde vivem depois da interrupção do pagamento de aluguéis que vinha sendo feito enquanto o condomínio permanece interditado. As famílias estão impedidas de retornar aos próprios apartamentos desde 13 de fevereiro de 2024, quando problemas estruturais levaram à evacuação emergencial do edifício. Mais de dois anos depois, o prédio continua em obras e ainda não houve liberação para o retorno dos moradores.
O condomínio fica na Avenida Jorge Hagge e possui 133 apartamentos. A interdição ocorreu depois que três pilares de sustentação apresentaram comprometimento estrutural, levando à retirada imediata dos residentes. Cerca de 250 pessoas viviam permanentemente no edifício na época do episódio.
Desde então, parte das famílias passou a morar em imóveis alugados, com despesas assumidas pela Construtora e Incorporadora de Imóveis JR Ltda., responsável pelo empreendimento. Inicialmente, também foram disponibilizados quartos de hotel e alternativas de acomodação para moradores que precisaram deixar o prédio sem planejamento prévio.
A situação voltou a gerar preocupação após moradores relatarem a interrupção do custeio dos aluguéis. Sem poder voltar aos apartamentos que possuem no condomínio interditado, famílias afirmam enfrentar o risco de não conseguir permanecer nos imóveis onde foram instaladas provisoriamente.
Interdição começou após danos em pilares
O edifício foi evacuado em 13 de fevereiro de 2024 depois que moradores relataram estrondos e movimentações na estrutura. Técnicos identificaram danos em três pilares, localizados nas áreas inferiores do prédio, o que levou a Defesa Civil a determinar a retirada dos ocupantes.
Na ocasião, o condomínio foi totalmente interditado. O prédio possui 23 pavimentos, incluindo áreas técnicas e de garagem, além dos andares residenciais, e reúne 133 unidades. Parte dos imóveis era utilizada para veraneio, enquanto aproximadamente 80 apartamentos funcionavam como residência permanente.
Nos primeiros dias após a evacuação, moradores precisaram recorrer a hotéis, imóveis de temporada e casas de parentes. A construtora posteriormente anunciou o pagamento de auxílio para moradia e alimentação. À época, foram informados valores de R$ 2,6 mil para locação e R$ 500 destinados à alimentação das famílias atendidas.
A Prefeitura de Praia Grande autorizou ainda em fevereiro de 2024 a realização de obras emergenciais para recuperação da estrutura. A liberação ocorreu após a apresentação de projetos e documentos técnicos pela empresa responsável pelo empreendimento. Mesmo com o início das intervenções, não foi estabelecido naquele momento um prazo definitivo para a volta das famílias.
Moradores acumulam mais de dois anos fora de casa
O prolongamento das obras transformou uma medida inicialmente emergencial em um problema habitacional de longa duração.
Em dezembro de 2025, quase dois anos depois da interdição, moradores ainda reclamavam da ausência de uma data concreta para a entrega do prédio, além de atrasos na ajuda destinada às despesas com aluguel. Naquele período, a construtora informou ter investido aproximadamente R$ 20 milhões em reforços estruturais, locações e assistência às famílias.
A empresa chegou a indicar que algumas unidades poderiam ser liberadas a partir de março de 2026. A previsão, porém, não resultou no retorno geral dos moradores, e o condomínio permaneceu interditado.
Avaliações técnicas mencionadas pelos representantes dos condôminos apontaram problemas relacionados à fundação e à distribuição de esforços sobre a estrutura. Segundo essas análises, parte do edifício teria sofrido movimentação desigual, aumentando a sobrecarga sobre pilares centrais.
Justiça condenou construtora a ressarcir condomínio
O impasse também chegou ao Judiciário. Em junho de 2026, a 4ª Vara Cível de Praia Grande condenou a Construtora e Incorporadora de Imóveis JR Ltda. a pagar R$ 1.617.151,76 ao condomínio.
A decisão determinou o ressarcimento de despesas que continuaram sendo pagas pelos condôminos mesmo durante o período de interdição. Entre os custos estavam serviços necessários para preservação e funcionamento básico do edifício, apesar de os apartamentos permanecerem desocupados.
A sentença também estabeleceu que a empresa deveria custear despesas futuras do condomínio enquanto o edifício permanecesse interditado. A decisão ainda era passível de recurso quando foi divulgada. O processo relacionado às despesas do condomínio, no entanto, não encerrou o problema enfrentado individualmente pelas famílias que continuam morando de aluguel.
Corte dos aluguéis amplia incerteza
Com os apartamentos de origem ainda interditados, a interrupção da assistência para locação cria um novo impasse. Os moradores dependem das moradias provisórias para permanecer fora do edifício enquanto aguardam a conclusão das intervenções e a autorização das autoridades para retornar.
Famílias passaram a temer despejos dos imóveis alugados após o corte dos pagamentos. Os moradores cobram uma definição sobre a continuidade da assistência e, principalmente, um cronograma para a conclusão dos serviços no condomínio.
A situação ocorre mais de dois anos e seis meses após a evacuação emergencial. Durante esse período, os proprietários permaneceram sem acesso regular aos imóveis adquiridos e tiveram a rotina transferida para residências temporárias.
A volta aos apartamentos depende da conclusão das intervenções necessárias e da comprovação das condições de segurança da estrutura. Desde o início da interdição, a Prefeitura de Praia Grande condiciona a ocupação do prédio à apresentação e aprovação dos documentos técnicos exigidos e à conclusão das obras previstas.
Enquanto não há liberação, os moradores seguem cobrando uma solução para a manutenção das moradias temporárias e uma definição sobre quando poderão retornar definitivamente ao Residencial Giovannina Sarane Galavoti.
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