João Araújo era uma figura emblemática na cidade, conhecido por suas histórias e pelo famoso corte de cabelo de Pelé

Gabriella Souza Publicado em 24/02/2026, às 10h24
Santos se despede de uma de suas figuras mais emblemáticas e queridas. João Araújo, mundialmente conhecido como Didi, o cabeleireiro oficial de Pelé, faleceu nesta terça-feira (24), aos 87 anos. O profissional, que imortalizou o famoso topete do Rei do Futebol, estava internado no hospital Beneficência Portuguesa desde o início de fevereiro. Segundo informações da família, Didi enfrentou complicações graves após passar por duas cirurgias no intestino, vindo a sofrer uma parada cardiorrespiratória na madrugada de hoje.
A ligação entre Didi e Pelé começou muito antes da glória mundial. João tinha apenas 15 anos quando um jovem Edson Arantes do Nascimento, recém-chegado ao Santos FC, entrou pela primeira vez em sua barbearia. O salão, localizado próximo ao Estádio Urbano Caldeira, a Vila Belmiro, tornou-se o cenário de uma amizade que duraria décadas. Mais do que um cliente, Pelé considerava Didi um irmão, e o barbeiro sempre se orgulhou de ter sido o "maior barbeiro do Brasil", título conferido pelo próprio Rei em um quadro autografado que decorava o salão.

Cerimônias de despedida
O velório de João Araújo ocorre nesta terça-feira, na Beneficência Portuguesa, em Santos. A cerimônia, aberta para que amigos e admiradores prestem suas últimas homenagens, está prevista para encerrar às 15h40. Na sequência, o cortejo seguirá para o Memorial Necrópole Ecumênica, localizado no bairro do Marapé, onde será realizada a cremação às 16h.
O legado de Didi permanece eternizado nas fotos clássicas de Pelé, onde o topete impecável, marca registrada do Rei, exibia a maestria de João Araújo. A cidade de Santos perde não apenas um profissional de excelência, mas uma testemunha ocular da história de ouro do futebol brasileiro. Didi deixa esposa, três filhos e uma legião de admiradores de seu trabalho e de sua lealdade.
Sentimento depois da morte de Pelé
A filha de João, Célia Araújo, revelou em entrevista ao g1 que a saúde do pai começou a declinar de forma mais acentuada após a morte de Pelé, em dezembro de 2022. Para Didi, a perda do amigo foi um golpe emocional profundo que refletiu diretamente em seu bem-estar físico. "Ele se abateu demais. Mexeu bastante com ele", lamentou a filha ao recordar como o pai guardava com carinho cada presente e recordação espalhada pela barbearia, que funcionava como um verdadeiro memorial do futebol santista.
Didi já estava aposentado e havia deixado de atender no salão há algum tempo, mas sua imagem permanecia viva no imaginário dos torcedores e clientes que buscavam não apenas um corte de cabelo, mas histórias raras sobre o cotidiano do Atleta do Século. Ele sempre fazia questão de enfatizar que Pelé era um homem de uma simplicidade ímpar e que qualquer profissional da área teria a honra de tê-lo na cadeira de barbeiro.
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