Motociclismo

Motogrupo feminino reúne mais de 20 motociclistas e promove encontros na Baixada Santista

Criado há um ano por três amigas, Sereias do Bololô organiza passeios mensais e adota regras de segurança, convivência e proteção das rotas compartilhadas entre as participantes

Integrantes do Sereias do Bololô participam de encontro na Baixada Santista. Criado há cerca de um ano, o motogrupo reúne mais de 20 mulheres e realiza passeios mensais pela região - Imagem: Reprodução/Instagram
Integrantes do Sereias do Bololô participam de encontro na Baixada Santista. Criado há cerca de um ano, o motogrupo reúne mais de 20 mulheres e realiza passeios mensais pela região - Imagem: Reprodução/Instagram

Redação Publicado em 25/08/2026, às 15h46


Um grupo de mulheres motociclistas, chamado Sereias do Bololô, tem crescido na Baixada Santista, reunindo mais de 20 integrantes em passeios mensais para promover a inclusão feminina no motociclismo, um ambiente tradicionalmente dominado por homens.

Fundado por Taís dos Santos, Sabrina Dameto e Jennyfer Souza, o grupo busca combater preconceitos e criar um espaço de apoio, estabelecendo critérios rigorosos para a entrada de novas integrantes, como a obrigatoriedade de ser mulher, possuir motocicleta e residir na região.

Os encontros mensais são planejados para incluir motociclistas de diferentes níveis de experiência, priorizando a segurança e a convivência, enquanto as organizadoras enfatizam a informalidade do motogrupo, permitindo que todas as participantes contribuam nas decisões e atividades.

Um grupo formado exclusivamente por mulheres motociclistas vem ampliando sua presença na Baixada Santista ao reunir mais de 20 integrantes em passeios mensais pela região. Criado há cerca de um ano pelas amigas Taís dos Santos, Sabrina Dameto e Jennyfer Souza, o Sereias do Bololô nasceu com a proposta de aproximar mulheres que compartilham o interesse por motocicletas, independentemente da experiência ou da cilindrada dos veículos.

A iniciativa também busca criar um ambiente de apoio entre as participantes em um universo ainda marcado pela predominância masculina. Segundo as administradoras, o grupo procura incentivar a participação feminina no motociclismo e combater situações de preconceito enfrentadas por mulheres que pilotam.

Taís dos Santos, de 32 anos, influenciadora digital e uma das responsáveis pela organização, afirma que o objetivo não é estabelecer competição entre as integrantes, mas criar vínculos a partir de interesses comuns.

Para as fundadoras, as motocicletas e a ligação com o litoral ajudaram a definir a identidade do grupo, que passou a divulgar encontros e ações nas redes sociais. Alguns dos vídeos publicados já acumularam milhares de visualizações.

O Sereias do Bololô estabeleceu critérios para a entrada de novas integrantes. Segundo Sabrina Dameto, de 24 anos, técnica em nutrição e administradora da comunidade, é necessário ser mulher, possuir motocicleta e morar em algum município da Baixada Santista.

A participação, no entanto, não é liberada automaticamente após o primeiro contato. Diante do aumento da procura, as interessadas precisam participar inicialmente de um encontro organizado pelo grupo. Depois dessa etapa, devem preencher um formulário com dados pessoais, que passa pela avaliação das administradoras. Segundo Sabrina, a medida foi adotada para evitar a entrada de pessoas sem interesse efetivo nas atividades e contribuir para a segurança das participantes.

As regras permanecem mesmo depois da entrada da motociclista na comunidade. Uma das principais determinações é a proibição de compartilhar com terceiros as rotas planejadas para os encontros. Segundo as administradoras, a decisão busca preservar a segurança das mulheres durante os deslocamentos. Também não são toleradas ofensas ou discriminações relacionadas à motocicleta utilizada, cilindrada, idade, cor da pele ou qualquer outra característica das integrantes.

Jennyfer Souza, de 25 anos, que trabalha como vendedora de motocicletas e também administra o grupo, afirma que mulheres motociclistas ainda são alvo de comentários preconceituosos e ataques relacionados ao fato de pilotarem. O grupo, segundo ela, utiliza os encontros e a própria presença nas ruas como forma de ampliar a visibilidade feminina nesse espaço.

Os encontros ocorrem uma vez por mês e têm rotas diferentes a cada edição. O planejamento considera a presença de motociclistas iniciantes e de veículos de menor cilindrada. A proposta é definir percursos que possam ser realizados por todas as integrantes sem criar pressão por velocidade ou desempenho. Durante os passeios, uma das administradoras segue à frente para orientar o trajeto.

As motociclistas com maior experiência assumem uma função chamada internamente de “anjos” e permanecem na parte traseira do grupo para acompanhar as demais participantes e evitar que alguma delas fique para trás ou se perca durante o deslocamento. As rotas incluem ainda uma parada programada para lanche, utilizada também como momento de convivência entre as integrantes. Segundo as organizadoras, o modelo busca combinar lazer, segurança e integração.

O tipo ou a potência da motocicleta não impede a participação no Sereias do Bololô. As administradoras afirmam que uma das premissas desde a criação foi evitar divisões entre mulheres que pilotam modelos diferentes. Por isso, tanto motociclistas mais experientes quanto iniciantes podem participar dos encontros. A definição das rotas leva em consideração essa diversidade para reduzir situações em que alguma participante precise conduzir acima do nível de segurança ou de experiência. O objetivo, segundo Taís, é manter um ambiente sem cobrança por desempenho e baseado no apoio entre as integrantes.

As fundadoras também destacam que o Sereias do Bololô é classificado como motogrupo, e não como motoclube. Segundo Sabrina, motoclubes costumam apresentar estrutura mais formal, com hierarquia definida, estatuto e representação institucional em encontros e eventos. No modelo adotado pelas Sereias do Bololô, a organização é mais informal.

Embora existam regras internas e administradoras responsáveis pela operação, não há uma estrutura hierárquica entre as participantes. As integrantes têm espaço para participar das decisões e contribuir com as atividades. As tarefas administrativas são divididas entre as fundadoras, que ficam responsáveis por áreas como organização dos passeios, redes sociais, relacionamento com patrocinadores e planejamento de ações sociais.

Após um ano de funcionamento, o grupo reúne mais de 20 motociclistas de diferentes pontos da Baixada Santista e mantém encontros regulares ao longo do ano.