Justiça Federal

MPF acusa influenciador Buzeira e outros quatro investigados por esquema de lavagem de dinheiro ligado a apostas

Denúncia apresentada em Santos aponta suposta atuação de organização criminosa voltada à ocultação de recursos por meio de empresas de apostas, criptomoedas e operações financeiras internacionais

Influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, está entre os denunciados pelo Ministério Público Federal em nova etapa da Operação Narco Bet - Imagem: Reprodução/Instagram
Influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, está entre os denunciados pelo Ministério Público Federal em nova etapa da Operação Narco Bet - Imagem: Reprodução/Instagram

Redação Publicado em 15/06/2026, às 16h53


O Ministério Público Federal denunciou cinco pessoas, incluindo o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa no mercado de apostas, como parte da Operação Narco Bet.

As investigações revelaram uma estrutura organizada que utilizava empresas de apostas e criptomoedas para ocultar a origem de recursos financeiros, com o objetivo de dar aparência de legalidade a valores provenientes de atividades ilícitas.

A denúncia será analisada pela Justiça Federal de Santos, que decidirá se aceita ou rejeita a acusação; caso seja aceita, os denunciados se tornarão réus e poderão apresentar defesa no processo.

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou à Justiça Federal uma denúncia contra cinco investigados por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa relacionado ao mercado de apostas. Entre os denunciados está o influenciador digital Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido nas redes sociais como Buzeira. O caso integra uma nova fase da Operação Narco Bet, desdobramento de investigações conduzidas pela Polícia Federal.

A denúncia foi protocolada na Justiça Federal de Santos e atribui aos investigados a participação em uma estrutura que, segundo o MPF, teria sido utilizada para ocultar a origem e a movimentação de recursos financeiros por meio de empresas do setor de apostas esportivas, transações internacionais e operações envolvendo criptoativos.

Além de Buzeira, também foram denunciados Rodrigo De Paula Morgado, Abelardo Dantas Alvares, Gustavo Afonso Ribeiro e Lacerda e Nickolas Tadeu Ribeiro de Campos. O processo será analisado pela 6ª Vara Federal de Santos, responsável por decidir se a acusação reúne elementos suficientes para abertura da ação penal.

De acordo com os procuradores responsáveis pelo caso, as investigações identificaram indícios da existência de uma organização estruturada, com divisão de funções e utilização de empresas e pessoas interpostas para dificultar a identificação dos reais beneficiários das operações financeiras.

A acusação sustenta que o grupo teria movimentado recursos por meio de plataformas ligadas ao mercado de apostas, empresas registradas em diferentes jurisdições, contratos considerados simulados e operações envolvendo criptomoedas. Segundo o MPF, o objetivo seria conferir aparência de legalidade a valores cuja origem estaria relacionada a atividades ilícitas investigadas em procedimentos paralelos.

No documento encaminhado à Justiça, Buzeira é apontado como suposto controlador econômico de empresas associadas às marcas BRXBET e RICOBET. Conforme a denúncia, embora não figurasse formalmente na composição societária das companhias, ele teria exercido influência direta sobre decisões estratégicas e atividades empresariais ligadas às operações investigadas.

Os procuradores afirmam ainda que a ausência do influenciador nos registros oficiais das empresas faria parte de uma estratégia para ocultar o efetivo controle dos negócios e reduzir a exposição perante órgãos fiscalizadores.

A denúncia também descreve a utilização de carteiras digitais e ativos virtuais para movimentação de recursos. Segundo o MPF, valores obtidos em atividades investigadas eram convertidos e transferidos por diferentes mecanismos financeiros, incluindo operações internacionais e estruturas empresariais sediadas no exterior.

A Operação Narco Bet foi deflagrada pela Polícia Federal como um desdobramento da Operação Narco Vela, investigação que apura a atuação de grupos criminosos ligados ao tráfico internacional de drogas. Conforme os investigadores, parte dos recursos movimentados pelo esquema teria sido utilizada em mecanismos destinados à ocultação patrimonial e financeira.

Esta é a segunda denúncia formal apresentada pelo Ministério Público Federal no âmbito da operação. A primeira, oferecida em 2025, envolveu outros investigados apontados como integrantes de um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado a apostas irregulares e rifas não regulamentadas.

Os denunciados ainda não foram julgados. A Justiça Federal deverá analisar os elementos apresentados pelo MPF antes de decidir pelo recebimento ou rejeição da denúncia. Caso a acusação seja aceita, os investigados passarão à condição de réus e terão a oportunidade de apresentar defesa durante o andamento do processo.