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MPF denuncia dez homens por enviar toneladas de cocaína de Santos para a máfia italiana

Denúncia aponta que grupo composto por brasileiros, sérvio, espanhol e colombiano movimentou 2,3 toneladas de drogas

Imagem aérea do Porto de Santos, SP - Foto: ACS / Reprodução
Imagem aérea do Porto de Santos, SP - Foto: ACS / Reprodução

Redação Publicado em 01/07/2026, às 11h15


O Ministério Público Federal (MPF) subiu o tom contra o tráfico internacional que utiliza o Porto de Santos como rota para o exterior. Em denúncia obtida nesta quarta-feira (1), o órgão formalizou acusações contra dez homens apontados como integrantes de uma organização criminosa de alta complexidade logística. O grupo, alvo da Operação Narco Sky, é acusado de enviar toneladas de cocaína para a Europa e África e possui ligação direta com a 'Ndrangheta, a poderosa máfia italiana que opera em mais de 40 países.

A denúncia pede a condenação dos envolvidos por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico transnacional e integração de organização criminosa. De acordo com os procuradores, as condutas dos réus não eram apoios pontuais, mas faziam parte de uma estrutura permanente, altamente hierarquizada e com divisão de funções.

O rombo financeiro e os alvos internacionais

As ordens judiciais partiram da 5ª Vara Federal de Santos e miraram endereços em São Paulo, RioGrandedo Sul e Pará. Além dos mandados de prisão preventiva, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de mais de R$ 631 milhões em bens, contas bancárias e criptoativos dos suspeitos.

O bando é composto por sete brasileiros e três estrangeiros. Diante do risco de fuga, a Justiça Federal incluiu o nome de duas lideranças na Difusão Vermelha da Interpol:

Antun Mrdeza(Sérvio): Conhecido pelos codinomes "Nikola Boros" ou "John Gotti", é apontado como chefe do grupo na Europa. A PF o identifica como membro de um consórcio global do narcotráfico investigado em pelo menos sete países.
Pedro Alonso Camacho Fernandez (Colombiano): Conhecido como "Vince", também está na lista de procurados internacionais.
Alejandro Salgado Vega (Espanhol): Vulgo "Tigre", considerado outro líder da célula europeia.
Os outros sete envolvidos, todos brasileiros, tiveram as prisões decretadas: Marco Aurélio de Souza (Lelinho), Rafael Gonçalves Sayão (Cabelinho), Antônio Greg Ribeiro Pinheiro (Fisherman), Fábio Rodrigues Ulhoa Cintra (Sapão), Walter Pires Junior (Waltinho), Ivan de Freitas Santos e Klaus de Castro Rios Motta e Silva.

Mensagens criptografadas e o rastro das toneladas

A quebra do esquema criminoso só foi possível graças a uma cooperação jurídica internacional com autoridades da França. A Polícia Federal brasileira obteve acesso aos servidores da SKY ECC, uma plataforma de comunicação com criptografia avançada que os traficantes utilizavam para combinar as coordenadas dos carregamentos sem deixar rastros.

Com as mensagens em mãos, a PF mapeou a dinâmica do grupo e identificou pelo menos sete grandes operações de tráfico em portos do Brasil, Espanha, Itália e Holanda, somando 2,3 toneladas de cocaína movimentadas. O histórico na Baixada Santista inclui:

Porto de Santos: Inserção clandestina de 80 kg de cocaína em um navio cargueiro no dia 30 de março de 2020.
Guarujá: Apreensão de 321 kg de pasta base em uma casa no dia 8 de julho de 2020. Na ocasião, o grupo percebeu a chegada da polícia e conseguiu transferir outra parte da carga (219 tijolos) para um novo esconderijo.


Entenda a linha do tempo das operações

A operação atual é um desdobramento de investigações complexas da Polícia Federal sobre o uso de barcos para cruzar o Atlântico:

A investigação começou com a Operação Narco Vela, que acompanhava o uso de veleiros modificados para cruzar o oceano Atlântico com drogas. Essa ação gerou a Operação Narco Fluxo, que ganhou os holofotes nacionais ao mirar os setores financeiros e nomes como os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além do empresário Rodrigo Morgado — vale destacar que nenhum deles possui qualquer envolvimento ou é investigado nesta nova fase, a Narco Sky.

A estrutura desmantelada agora contava com três escalões: uma direção no exterior responsável pelo financiamento, um comando nacional baseado no Brasil para coordenar a logística, e células locais na Baixada Santista focadas no armazenamento e na colocação física da droga dentro dos navios.