Polícia

Mulher alega legítima defesa após morte de companheiro durante discussão em Cubatão

Investigação aponta que vítima tinha histórico de violência doméstica e que autora desferiu um único golpe de faca após, segundo depoimento, ser atacada com uma barra de ferro

Caso ocorreu em uma residência no bairro Vila Natal, em Cubatão, e segue sob investigação da Polícia Civil para esclarecimento das circunstâncias do crime - Imagem: Reprodução
Caso ocorreu em uma residência no bairro Vila Natal, em Cubatão, e segue sob investigação da Polícia Civil para esclarecimento das circunstâncias do crime - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 08/07/2026, às 16h32


Uma mulher de 48 anos se apresentou à polícia após matar seu companheiro, de 54 anos, durante uma discussão em Cubatão, São Paulo, com o caso sendo investigado como homicídio e a possibilidade de legítima defesa.

O homem foi levado ao hospital com ferimentos de faca, mas não sobreviveu, e a mulher relatou que o relacionamento era marcado por agressões e consumo excessivo de álcool por parte dele, além de ter obtido uma medida protetiva contra ele em 2025.

Após o incidente, a mulher se apresentou à delegacia e, com indícios de legítima defesa, não foi presa em flagrante; a investigação continua com exames periciais solicitados para esclarecer os detalhes do caso.

Uma mulher de 48 anos se apresentou à Polícia Civil após matar o companheiro, de 54 anos, durante uma discussão ocorrida na residência onde o casal morava, no bairro Vila Natal, em Cubatão, no litoral de São Paulo. O caso aconteceu no domingo (5), enquanto era realizada uma partida da Seleção Brasileira, e está sendo investigado como homicídio com análise da hipótese de legítima defesa.

De acordo com o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados após o homem dar entrada no Pronto-Socorro Central de Cubatão com um ferimento provocado por arma branca. Apesar do atendimento médico, ele não resistiu aos ferimentos.

Em seguida, equipes da Polícia Militar foram até o imóvel onde o crime ocorreu. No local, uma vizinha relatou que a mulher procurou ajuda logo após a agressão, informando que havia esfaqueado o companheiro e pedindo que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) fosse acionado.

Em depoimento à Polícia Civil, a mulher afirmou que manteve um relacionamento com a vítima há cerca de dez anos, período em que tiveram uma filha, e que retomaram a convivência há aproximadamente dois anos. Segundo seu relato, o companheiro apresentava comportamento agressivo e fazia uso frequente de bebidas alcoólicas.

Ainda conforme o depoimento, a mulher informou que chegou a obter uma medida protetiva de urgência contra o companheiro em novembro de 2025, em razão de episódios de violência doméstica. No entanto, o casal voltou a morar junto cerca de um mês depois.

A autora declarou que, na véspera do crime, o homem passou o dia ingerindo bebidas alcoólicas e voltou a ofendê-la. No dia da ocorrência, ela afirmou ter comunicado o desejo de encerrar o relacionamento, o que teria provocado uma nova discussão. Durante o conflito, segundo sua versão, foi agredida com tapas, enforcamento e puxões de cabelo.

Ela também relatou que tentou deixar o imóvel, mas o companheiro teria pegado uma barra de ferro para atacá-la. Diante da situação, afirmou ter utilizado uma faca retirada da cozinha e desferido um único golpe quando o homem avançou em sua direção.

Após o ocorrido, a mulher deixou a residência por receio de represálias e, posteriormente, apresentou-se espontaneamente à delegacia para prestar esclarecimentos, momento em que foi informada da morte do companheiro.

Segundo a Polícia Civil, a existência da medida protetiva foi confirmada durante a investigação preliminar. A autoridade policial entendeu, inicialmente, que há indícios de que a mulher tenha agido em legítima defesa, sem excesso na reação, razão pela qual ela não foi presa em flagrante.

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) informou que foram requisitados exames periciais ao Instituto de Criminalística (IC) e ao Instituto Médico Legal (IML). O inquérito segue em andamento para esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência.