Saúde

Mulher morre em UPA de Santos enquanto aguardava transferência para leito de UTI

Paciente de 67 anos permaneceu internada por mais de uma semana à espera de vaga hospitalar; família questiona a demora na transferência e Estado e Prefeitura apresentam versões sobre o processo de regulação

Márcia Guirão Seraphim, de 67 anos, morreu na UPA da Zona Noroeste, em Santos, enquanto aguardava transferência para um leito hospitalar de maior complexidade por meio do sistema estadual de regulação - Imagem: Arquivo Pessoal
Márcia Guirão Seraphim, de 67 anos, morreu na UPA da Zona Noroeste, em Santos, enquanto aguardava transferência para um leito hospitalar de maior complexidade por meio do sistema estadual de regulação - Imagem: Arquivo Pessoal

Redação Publicado em 04/08/2026, às 16h08


Uma mulher de 67 anos faleceu na UPA da Zona Noroeste em Santos após mais de uma semana aguardando transferência para um leito hospitalar, o que gerou protestos da família e respostas das autoridades de saúde sobre o caso.

Márcia Guirão Seraphim foi internada com complicações de trombose e, apesar da assistência médica, a falta de leitos disponíveis agravou sua condição, levando à morte em 2 de agosto.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que o pedido de transferência foi feito em 29 de julho e que a prioridade de internação depende da avaliação clínica, enquanto a Prefeitura de Santos destacou que o acompanhamento das solicitações é diário.

Uma mulher de 67 anos morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste, em Santos, após permanecer internada por mais de uma semana aguardando transferência para um leito hospitalar de maior complexidade. Márcia Guirão Seraphim faleceu no dia 2 de agosto, enquanto aguardava uma vaga por meio do sistema estadual de regulação. O caso mobilizou manifestações da família e levou a Secretaria de Estado da Saúde e a Prefeitura de Santos a se pronunciarem sobre os procedimentos adotados.

Segundo relatos da família, Márcia procurou atendimento médico em 23 de julho, após apresentar dores e complicações associadas a um quadro de trombose. Ela foi internada na UPA no dia seguinte e permaneceu sob acompanhamento da equipe médica enquanto aguardava transferência para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A neta da paciente, Rochelly Guirão, afirmou que, durante a internação, a família foi informada de que a paciente recebia assistência adequada na unidade, mas demonstrou preocupação com a demora para conseguir uma vaga hospitalar. De acordo com ela, o quadro clínico da avó evoluiu com o comprometimento de outros órgãos, aumentando a necessidade de atendimento em uma unidade de maior complexidade.

Ainda conforme a familiar, a equipe médica realizava atualizações frequentes sobre o estado de saúde da paciente e informava que não havia disponibilidade de leitos para transferência. Ela também relatou que, no dia da morte, Márcia chegou a apresentar uma breve estabilização após intervenções médicas, mas não resistiu.

A família afirma que a principal preocupação não está relacionada ao atendimento prestado pelos profissionais da UPA, mas ao tempo de espera por uma vaga hospitalar. Segundo Rochelly, a demora pode ter comprometido as chances de recuperação da paciente.

Estado informa data do pedido de transferência

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que a solicitação de transferência foi inserida no sistema estadual de regulação pelo município em 29 de julho, cinco dias após a internação da paciente na UPA. A pasta acrescentou que o pedido permaneceu ativo até 2 de agosto, quando foi encerrado pela unidade de origem após a confirmação do óbito.

O governo estadual esclareceu ainda que cabe às unidades solicitantes registrar e atualizar as informações clínicas dos pacientes no sistema de regulação, indicando a gravidade do caso e a necessidade assistencial, para subsidiar a busca por vagas disponíveis na rede.

Prefeitura diz que seguiu protocolo de regulação

Também por meio de nota, a Prefeitura de Santos informou que solicitou a transferência da paciente aos hospitais que integram a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) e destacou que a definição da prioridade para internação depende da avaliação clínica registrada pela equipe médica responsável.

Segundo a administração municipal, os pedidos permanecem em acompanhamento diário até que uma vaga seja disponibilizada por uma unidade hospitalar apta a receber o paciente. Enquanto aguarda a transferência, o atendimento continua sendo realizado na própria UPA.

Como funciona a regulação de vagas

A busca por leitos hospitalares é realizada pela Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross), sistema responsável por intermediar a transferência de pacientes entre unidades de saúde e hospitais da rede pública.

O serviço funciona de forma ininterrupta e identifica vagas disponíveis em hospitais municipais, estaduais ou filantrópicos, considerando critérios como a gravidade clínica do paciente, a especialidade necessária e a capacidade de atendimento das unidades de destino.