Levantamento inédito revela que maioria dos inscritos em programa habitacional é chefiada por mulheres, muitas em situação de vulnerabilidade.

Ana Beatriz Publicado em 22/03/2026, às 15h26
Um levantamento da prefeitura de Mongaguá revelou que 81% das famílias cadastradas em busca de moradia são chefiadas por mulheres, destacando a vulnerabilidade social e a necessidade urgente de políticas habitacionais na cidade.
Dos mais de 4,2 mil inscritos, cerca de 3.778 vivem em aluguel ou áreas irregulares, refletindo uma tendência nacional onde mais de 60% das famílias em déficit habitacional no Brasil são lideradas por mulheres, evidenciando desigualdades estruturais.
A prefeitura já iniciou a construção de 80 unidades habitacionais e está em processo de licitação para mais 200, com a expectativa de direcionar investimentos para famílias em situação crítica, especialmente aquelas chefiadas por mulheres.
Um levantamento inédito realizado pela prefeitura de Mongaguá, no litoral de São Paulo, revelou um dado que chama atenção para o perfil da população em busca de moradia: 81% das famílias cadastradas são chefiadas por mulheres. O estudo foi feito a partir do Cadastro de Demanda Habitacional do município e reúne mais de 4,2 mil inscritos, oferecendo um panorama detalhado da realidade habitacional local.
Os números indicam que a busca pela casa própria na cidade tem forte presença feminina, muitas vezes associada a contextos de vulnerabilidade social. Do total de cadastrados, cerca de 3.778 pessoas vivem atualmente de aluguel ou em áreas irregulares, evidenciando a urgência por políticas públicas voltadas ao setor.
O levantamento também mostra um perfil diversificado das famílias que aguardam acesso à moradia. Entre os dados levantados, 19% possuem idosos, 18% incluem pessoas com deficiência, e pelo menos 562 moradores apresentam mobilidade reduzida. Além disso, há variações significativas na composição familiar, com 28% das famílias tendo mais de quatro integrantes, enquanto 27% são formadas por até duas pessoas.
Segundo a gestão municipal, o cadastro representa um marco na organização das políticas habitacionais da cidade, permitindo identificar com mais precisão quem são as famílias que mais necessitam de atendimento. A base de dados será utilizada para orientar programas futuros e definir critérios de prioridade em projetos de habitação.
Déficit habitacional com rosto feminino
O cenário observado em Mongaguá reflete uma tendência nacional. Dados recentes indicam que mais de 60% das famílias em déficit habitacional no Brasil são chefiadas por mulheres, o que evidencia uma desigualdade estrutural no acesso à moradia.
Especialistas apontam que mulheres chefes de família, especialmente mães solo, enfrentam maiores dificuldades para acessar crédito, manter renda estável e sair do aluguel. Esse contexto amplia a vulnerabilidade social e reforça a importância de políticas públicas com recorte de gênero.
Além da questão econômica, a falta de moradia adequada impacta diretamente aspectos como segurança, acesso a serviços básicos e oportunidades de desenvolvimento familiar.
Planejamento e novos projetos habitacionais
Com base nos dados coletados, a prefeitura informou que já há projetos em andamento para reduzir o déficit habitacional na cidade. Atualmente, 80 unidades habitacionais estão em construção, enquanto outras 200 seguem em fase de licitação.
A expectativa é que, com o novo diagnóstico, o município consiga direcionar melhor os investimentos e priorizar famílias em situação mais crítica, especialmente aquelas lideradas por mulheres.
O cadastro habitacional permanece aberto e tem caráter informativo, servindo como base para futuros programas. No entanto, a inscrição não garante automaticamente o acesso à moradia, sendo necessária análise de critérios e documentação.
Desafio estrutural
O levantamento reforça que o déficit habitacional vai além da falta de imóveis e está diretamente ligado a questões sociais mais amplas, como desigualdade de renda, gênero e acesso a oportunidades.
Para especialistas, políticas habitacionais que priorizem mulheres chefes de família podem gerar impacto direto na redução da pobreza e na melhoria da qualidade de vida, especialmente em contextos urbanos e periféricos.
Leia também

Mais de 200 detentos não retornam após saída temporária de Natal e Ano Novo na Baixada Santista

A arte e o mistério das Gueixas

Polícia prende dois e fecha loja com cigarro, gás e joias roubadas em São Vicente

Briga entre adolescentes em frente à escola em Mongaguá

Empresário Giovani Borlenghi é citado no escândalo de R$ 5 milhões por semana no Porto de Santos

Idosa morre após ser atropelada em avenida

Guia registra encontro raro com onça-pintada durante trilha

Suspeito de importunação sexual contra adolescente nega crime e é liberado no litoral de SP

Morre Dozinho, primeiro prefeito eleito de Praia Grande e símbolo da história do município

Golfinhos encantam remadores e protagonizam espetáculo raro no litoral de SP