Especialista da Hapvida esclarece que a proteína é essencial ao organismo, mas produtos industrializados com esse apelo não substituem uma alimentação equilibrada

Redação Publicado em 28/08/2026, às 16h50
Cresce a procura por alimentos com maior teor de proteína, e essa tendência já é visível nas prateleiras dos supermercados: iogurtes, bebidas, barras, sobremesas e outros produtos com a marcação "protein" aparecem com cada vez mais frequência. Ainda assim, o apelo comercial não significa que a proteína adicionada torne esses itens essenciais ou automaticamente saudáveis.
A nutricionista da Hapvida, Maria Eduarda Doria, resume bem essa diferença: a proteína é necessária ao organismo, mas o produto "protein" nem sempre. Segundo ela, esse tipo de alimento pode ser útil principalmente pela praticidade, sendo indicado para quem tem dificuldade de realizar uma refeição adequada ou de alcançar a meta diária do nutriente — funcionando como uma estratégia pontual, e não como algo nutricionalmente obrigatório.
Ela orienta que a quantidade de proteína não seja o único critério na hora da escolha. É importante verificar também os níveis de açúcares adicionados, gordura saturada, sódio, fibras e valor energético, além do tamanho da porção e dos ingredientes utilizados. A recomendação geral é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, evitando que ultraprocessados ocupem o lugar de alimentos tradicionais.
Segundo a nutricionista, a maior parte das pessoas saudáveis consegue atingir a quantidade de proteína necessária apenas com uma alimentação variada, sem depender de produtos industrializados enriquecidos. Ovos, leite e derivados, carnes, peixes, frango, feijão, lentilha, grão-de-bico e soja estão entre as principais fontes naturais do nutriente.
Ela pontua que não existe uma quantidade universal de proteína ideal para todas as pessoas, já que a necessidade varia conforme idade, peso e condições de saúde. No caso de idosos, cita que algumas organizações e grupos de especialistas recomendam uma ingestão maior, geralmente entre 1,0 e 1,2 grama por quilo de peso ao dia, a depender das condições clínicas e do nível de atividade física.
Para adultos em geral, a referência da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) é de aproximadamente 0,83 grama de proteína por quilo de peso corporal ao dia. Já para pessoas fisicamente ativas, a International Society of Sports Nutrition considera adequada, para a maioria de quem treina, uma faixa entre 1,4 e 2,0 gramas por quilo de peso ao dia.
Excessos
A nutricionista alerta para o cuidado com generalizações sobre os efeitos do consumo elevado de proteína, destacando que a afirmação de que "proteína em excesso destrói os rins" não representa adequadamente o que mostra a literatura científica.
Em pessoas saudáveis, dietas com maior teor de proteína podem ser adotadas com segurança em determinados contextos. O problema aparece quando o consumo se torna excessivamente elevado e desequilibrado, sobretudo quando a proteína passa a ocupar o espaço de outros nutrientes essenciais.
Já em pessoas com doença renal, a especialista explica que é necessária uma avaliação individualizada, considerando o estágio da doença, os exames, o tratamento em curso e a eventual necessidade de diálise.
Mitos
A nutricionista desmistifica algumas crenças comuns sobre o consumo de proteína. Ela explica que consumir mais proteína não significa, necessariamente, ganhar mais músculo — o ganho e a manutenção da massa muscular também dependem do treinamento de força, da ingestão energética adequada, da recuperação e do sono. Além disso, reforça que não é preciso consumir whey protein para ganhar massa muscular: ele é apenas uma fonte prática do nutriente, e as necessidades diárias podem ser supridas pela alimentação.
Ela ainda esclarece que a proteína não provoca ganho de gordura simplesmente por ser proteína — o excesso de energia consumida ao longo do tempo é o que pode contribuir para o ganho de peso. Da mesma forma, destaca que o carboidrato não prejudica o ganho de massa muscular, sendo também importante como fonte de energia, especialmente para quem pratica atividade física.
Sintomas
Segundo a nutricionista, não existe um conjunto específico de sintomas que, sozinho, indique excesso de proteína. No entanto, uma alimentação muito concentrada nesse nutriente e pouco equilibrada pode estar associada a desconforto gastrointestinal, sensação de estômago pesado e constipação, principalmente quando há baixa ingestão de fibras. Também merece atenção quando o consumo frequente de produtos proteicos passa a substituir frutas, verduras, legumes, carboidratos e outras fontes importantes de nutrientes.
A recomendação final é observar a alimentação como um todo, em vez de apenas contabilizar gramas de proteína por produto — o suplemento deve ser visto como uma ferramenta complementar, e não como requisito para uma alimentação saudável.
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