Além do inseticida, peixes predadores são soltos em reservatórios para combater larvas do mosquito da dengue de forma natural

Redação Publicado em 23/06/2026, às 11h42
Uma nova arma tecnológica promete dar uma força no combate às doenças transmitidas pelo mosquito da dengue nas casas e prédios públicos da região. Os agentes de combate às endemias de Praia Grande passaram por um treinamento prático e teórico completo na última semana para aprender a usar um veneno especial de longa duração nas paredes. A técnica, batizada de BR-Aedes (Borrifação Residual Intradomiciliar), consiste em espalhar um inseticida que gruda nas superfícies internas e elimina o mosquito Aedes aegypti assim que ele pousa na parede. O produto continua fazendo efeito por um período de três a quatro meses.
As aulas foram coordenadas por técnicos do Grupo de Vigilância Epidemiológica do Governo do Estado, que estão levando essa nova estratégia para todas as cidades da Baixada Santista e do Vale do Ribeira, seguindo ordens do Ministério da Saúde. Na quinta-feira (19), os agentes se reuniram na sede da Saúde Ambiental, na Vila Sônia, para entender a teoria, e na sexta-feira (20) foram para a rua aplicar o produto em uma casa para ver como funciona na prática. Segundo a diretora de Saúde Ambiental, Maria Fernanda Gonçalves, as primeiras aplicações devem acontecer em escolas municipais e postos de saúde.
Peixes famintos no combate às larvas
A prefeitura já faz um trabalho pesado durante o ano todo para conter o avanço da dengue, zika e chikungunya. Além das tradicionais visitas nas casas para eliminar pratinhos de plantas e pneus velhos, os agentes vistoriam pontos críticos como cemitérios, pátios de veículos apreendidos e borracharias. Quando um caso é confirmado, as equipes correm com os equipamentos costais para fazer a nebulização do veneno no bairro.
Uma tática bem curiosa usada na cidade é a soltura de peixes da espécie Lebiste, conhecidos popularmente como "Barrigudinhos", em grandes reservatórios ou piscinas abandonadas com água parada. Esses bichinhos são predadores naturais e comem todas as larvas e ovos do mosquito antes que eles virem insetos. Quem tiver alguma denúncia de focos de mosquito ou quiser pedir os peixes para colocar em uma piscina pode ligar para a Ouvidoria do SUS nos telefones 0800-773-3020 ou 3472-9764.
Cuidados em casa e vacinas disponíveis
Apesar do esforço dos fiscais, a administração municipal lembra que cerca de 70% dos criadouros do mosquito estão dentro das propriedades particulares. Por isso, os moradores precisam manter calhas limpas, caixas d'água lacradas, ralos com telas de proteção e descartar materiais recicláveis ou pneus velhos diretamente nos Ecopontos do município.
As famílias também devem aproveitar para atualizar a carteira de vacinação dos filhos. As doses contra a dengue continuam disponíveis para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em todas as 31 Unidades de Saúde da Família (Usafas), de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h. É preciso levar os documentos e ficar atento para tomar a segunda dose após três meses da primeira. Vale lembrar que os testes com a vacina nacional de dose única do Instituto Butantan foram interrompidos no início de junho por ordem do Governo Federal. Em caso de febre alta, dores no corpo ou manchas vermelhas na pele, a orientação é procurar a Usafa mais próxima imediatamente.
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