Segurança pública

Operação mira grupo suspeito de movimentar R$ 52,5 milhões com agiotagem e prende homem em Santos

Polícia Civil cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária em Santos, Guarujá e São Paulo; investigação aponta cobranças com ameaças e violência

Suspeito foi preso na Ponta da Praia, em Santos, durante a Operação Bogotá, que investiga esquema de agiotagem e lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 52,5 milhões - Imagem: Divulgação/Polícia Civil
Suspeito foi preso na Ponta da Praia, em Santos, durante a Operação Bogotá, que investiga esquema de agiotagem e lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 52,5 milhões - Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Redação Publicado em 10/09/2026, às 15h47


Um homem foi preso em Santos, suspeito de integrar uma organização criminosa envolvida em agiotagem e lavagem de dinheiro, que movimentou R$ 52,5 milhões por meio de empréstimos ilegais e cobranças violentas. A prisão ocorreu durante a Operação Bogotá, que também abrangeu Guarujá e São Paulo.

A organização, composta por colombianos, utilizava o modelo 'gota a gota', oferecendo empréstimos com juros abusivos e cobrando dívidas por intimidação. Desde o início da investigação em maio de 2026, 41 pessoas foram identificadas como participantes do esquema.

A Polícia Civil apreendeu celulares e um notebook do suspeito, que passarão por perícia, e já bloqueou bens de investigados para preservar patrimônio relacionado aos crimes. As investigações seguem para esclarecer a participação dos suspeitos e rastrear a origem dos valores movimentados.

A Polícia Civil prendeu na quarta-feira (9), em Santos, um homem suspeito de integrar uma organização criminosa investigada por agiotagem e lavagem de dinheiro. Segundo a corporação, o grupo teria movimentado R$ 52,5 milhões por meio de empréstimos ilegais e cobranças realizadas com ameaças e violência. A prisão ocorreu durante a Operação Bogotá, que também cumpriu mandados em Guarujá e na capital paulista.

Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária. A ação foi conduzida pela Delegacia Seccional de Polícia de Registro, com apoio da Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Santos.

De acordo com a Polícia Civil, a organização seria formada por colombianos e utilizaria o modelo conhecido como “gota a gota”, caracterizado pela oferta de empréstimos informais com juros considerados abusivos e posterior cobrança das dívidas por meio de intimidação.

O suspeito preso em Santos foi localizado em um quarto alugado na Ponta da Praia. A identidade e a nacionalidade dele não foram divulgadas. No imóvel, os policiais apreenderam dois celulares e um notebook, que deverão passar por perícia.

Segundo a investigação, o homem já havia chamado a atenção dos policiais em agosto, quando teria fotografado um magistrado que estava em um restaurante de Santos acompanhado de familiares. Para os investigadores, a imagem poderia ser utilizada posteriormente em ameaças.

A Polícia Civil informou que o magistrado havia tomado decisões judiciais relacionadas ao grupo investigado, incluindo autorizações para quebra de sigilo e bloqueio de patrimônio. A ligação do suspeito com integrantes da organização teria sido identificada posteriormente, após a análise de equipamentos apreendidos em fases anteriores da investigação. Em um dos aparelhos, os policiais encontraram registros de contatos entre o homem, a esposa dele e outros investigados.

A apuração começou em maio de 2026, quando a Polícia Civil de Registro passou a investigar suspeitas de agiotagem e lavagem de dinheiro. Desde então, 41 pessoas foram identificadas como possíveis participantes do esquema, segundo a corporação. Parte dos investigados já havia sido presa em outras etapas da operação.

De acordo com o delegado seccional de Registro, Marcelo Freitas, celulares, computadores e documentos apreendidos ao longo da investigação permitiram ampliar o mapeamento da estrutura financeira do grupo.

Os investigadores também identificaram um núcleo financeiro que atuaria em Campinas. A Justiça determinou o bloqueio de bens de investigados como parte das medidas destinadas a rastrear e preservar patrimônio possivelmente relacionado aos crimes apurados.

Ainda segundo a Polícia Civil, alguns investigados deixaram o Brasil durante o avanço das apurações. Dois deles foram localizados e presos recentemente na Colômbia depois de terem os nomes incluídos na Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal, a Interpol.

As investigações continuam para esclarecer a participação individual dos suspeitos, identificar possíveis vítimas e rastrear a origem e o destino dos valores movimentados pelo grupo.