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Operação no Porto de Santos consegue salvar Navio Besnard após três meses de inundação

Ícone das missões brasileiras na Antártida deve virar centro de formação técnica com o apoio da comunidade marítima e de empresas portuárias

Histórico navio de pesquisas científicas recupera flutuabilidade e passará por perícia em estaleiro - Imagem: Divulgação
Histórico navio de pesquisas científicas recupera flutuabilidade e passará por perícia em estaleiro - Imagem: Divulgação

Redação Publicado em 16/06/2026, às 13h05


A complexa operação de engenharia e salvamento do Navio Oceanográfico Professor W. Besnard alcançou um marco decisivo. A Autoridade Portuária de Santos (APS) confirmou que a embarcação recuperou totalmente a sua condição de flutuabilidade, encerrando um período de 94 dias consecutivos de trabalhos intensivos na água.

Apesar do sucesso da reflutuação, o navio histórico não será movimentado de imediato. A APS informou que a estrutura permanece atracada sob monitoramento técnico contínuo e rigoroso. Engenheiros navais e equipes de salvamento realizam vistorias periódicas para avaliar a estabilidade do navio e a integridade de suas anteparas, etapas consideradas fundamentais e obrigatórias antes que as próximas fases da operação logística sejam autorizadas no estuário.

Relembre o caso: três meses adernado no cais

O incidente com o Professor W. Besnard ocorreu na noite de 13 de março deste ano. Uma severa avaria no casco abriu uma via de água, provocando a inundação de compartimentos internos e fazendo com que o navio adernasse (inclinasse lateralmente) em direção ao cais do Porto de Santos.

Desde as primeiras horas após o adernamento, a Autoridade Portuária ativou um plano de contingência emergencial para cercar o navio com barreiras de contenção ambiental e planejar a sua retirada, priorizando a segurança do tráfego de navios cargueiros e a proteção das águas do canal santista.

Futuro da embarcação: de pioneiro da Antártida a navio-escola

Com cerca de 60 anos de história, o Professor W. Besnard é classificado por historiadores e cientistas como o principal símbolo da pesquisa oceanográfica do Brasil. Ao longo de sua vida útil, o navio liderou mais de 150 expedições científicas e foi o responsável por transportar a primeira missão oficial do país à Antártida, servindo de base para estudos pioneiros sobre mudanças climáticas, correntes marinhas e biodiversidade. Atualmente, o navio pertence ao Instituto do Mar, uma associação civil sem fins lucrativos.

Com o fim da fase de reflutuação, o próximo passo do cronograma prevê o reboque do navio até um estaleiro especializado da região. No local, uma perícia detalhada vai mensurar a viabilidade econômica e estrutural de sua reforma.

A principal proposta defendida pelo Instituto do Mar e por lideranças do setor é transformar o Professor W. Besnard em um navio-escola. O projeto busca o apoio de empresas privadas do complexo portuário de Santos e de entidades da comunidade marítima para converter o antigo laboratório flutuante em um centro de formação técnica e histórica para novas gerações de marinheiros e pesquisadores.